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#Vestibular: especialista da Educação dá dicas para candidatos aos cursos de Humanas

Segundo Emerson Costa, é necessário ter um pensamento ‘global’ e estar apto em todas as áreas

Ao finalizarem o Ensino Médio, os jovens começam a traçar a vida profissional e muitos questionamentos são levantados, sobretudo qual carreira seguir. Com tantas opções de cursos, normalmente, esta escolha acaba se tornando uma tarefa nada fácil. Mas se o aluno traçar o seu perfil, certamente descobrirá suas aptidões e isso o ajudará a tomar decisões e fazer escolhas assertivas.

Portanto, o primeiro passo para se descobrir profissionalmente é estudar as áreas para saber qual combina mais consigo. Elencamos algumas dicas que podem ajudar nesta descoberta. Conheça um pouco mais sobre a área de Humanas:

O perfil dos estudantes da área de Humanas pode ser bastante heterogêneo em relação a diversos aspectos, como classe social, orientação política e preferências pessoais e culturais. As características fundamentais para uma pessoa se dar bem na área, no entanto, é o desenvolvimento do seu espírito questionador e a capacidade de sugerir reflexões mais profundas.

Nele, predomina uma visão mais crítica diante das instituições e da vida, de uma maneira geral, e seu objetivo é gerar conhecimento e o colocar a serviço dos grupos sociais.

Além disso, cada curso na área de humanas também tem o seu perfil. Com a ajuda do professor Emerson Costa, da Equipe Curricular de Ciências Humanas do CEFAF (Centro de Ensino Fundamental dos Anos Finais, do Ensino Médio e da Educação Profissional), da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, você saberá um pouco mais sobre os cursos de graduação de Filosofia, Sociologia, História e Geografia.

Filosofia

Filosofia é um curso altamente teórico, então quem pretende ingressar tem que estar disposto a ler muito. Se o estudante não tem muita afinidade com leitura de textos longos, automaticamente já não teria o perfil desse curso. Além disso, obviamente, quem lê muito será demandado a escrever bastante. Outro ponto sobre a filosofia, é que se trata de  um curso que trabalha muito com a argumentação.

Segundo o professor Emerson, e diferentemente do que a maioria das pessoas imagina, a filosofia não é uma ciência, e sim um conhecimento. “Não é ciência porque não tem um compromisso com o resultado ‘tal e qual’. Por exemplo, você tem uma percepção sobre bioética e eu tenho outra. Nós fazemos pesquisas e estudos, nós argumentamos um com o outro e, mesmo que tenhamos posicionamentos diferentes, não significa que um é certo e o outro não”, esclarece o educador.

No curso em questão também é imprescindível que o candidato seja apto para a imparcialidade. Isso não significa que ela não deve ter opinião, e logicamente terá seu posicionamento. Mas, durante os estudos, e na profissão, é necessário se manter isento em relação àquilo que está aprendendo.

O terceiro ponto, e bastante importante, é que o estudante de filosofia deve se preparar para não encontrar um campo de trabalho muito fecundo. “Deve fazer o curso, se essa for sua escolha, mas precisa pensar nas possibilidades profissionais do futuro, para que não se torne uma experiencia frustrante”, elucida Emerson Costa.

Sociologia

Enquanto a Filosofia possui característica mais antigas, por ter sido estabelecida na Antiguidade, a Sociologia é uma ciência mais contemporânea. Trata, majoritariamente, da ações que o Homem faz. Além disso, é uma profissão que trabalha bastante com dados e pesquisas.

Um dos seus perfis é a mineração de dados, pesquisas, entrevistas, comparações entre elementos da sociedade e da própria cultura. E, com isso, ela consegue estabelecer os parâmetros.

Por ser uma ciência “novinha em folha”, conversa com questões mais atuais, como as questões de gênero, de cotas, de religiosidade, entre outras. “Hoje em dia a discussão em torno do que é gênero, que não está diretamente ligado ao sexo biológico, são questões muito importantes e muito urgentes dentro da sociologia”, enfatiza Emerson Costa.

Outra dica do especialista é que aquele que faz o curso precisa desenvolver a capacidade de “desnaturalizar o olhar”. Em outras palavras, precisa ver as coisas de outras formas, porque as pessoas acabam se tornando fruto da cultura. Por isso, cabe ao sociólogo quebrar esses comportamentos naturalizados como, por exemplo, ‘homem vai trabalhar e mulher fica em casa’.

História

O curso de História se pauta muito na historiografia, naturalmente. Nele, os alunos precisam pensar na escrita da história da maneira mais imparcial possível. Deve relatar os fatos sem colocar impressões pessoais.

O perfil básico, por excelência, de um curso de história é a pesquisa. A capacidade de identificar um documento com fundamentos que são tomados como adequados, e aqueles que não são. “Por que documentos muito antigos podem até trazer a carga de ‘fake news’, pois notícias falsas existem desde sempre. É que com a internet isso se exacerbou mais, mas existe a prática desde a Antiguidade”, afirma o professor Emerson.

Geografia

“Da mesma forma que eu disse que Filosofia não é uma ciência, embora esteja agrupada dentro das ciência humanas, a Geografia é uma ciência, inegavelmente, mesmo estando na área de ciências humanas ela conversa muito prontamente com a área de ciências da natureza”, afirma Emerson Costa.

Por exemplo, formações rochosas vai rapidamente ao encontro da Geologia. A constituição do meio ambiente, da Terra como um todo, as questões da água, do espaço, os planetas do sistema Solar, isso tudo está dentro Geografia Física. “E, mais contemporaneamente falando, as questões ambientais que são muito claras têm essa interface com a ciências da natureza”, explica o integrante da Equipe Curricular de Ciências Humanas. E acrescenta, em ciências humanas ficam as partes de “demografia, mercantilismo, globalização, diplomacia entre países, como Mercosul, e etc”, conclui.

O professor Emerson Costa dá uma dica final. O candidato aos vestibulares deve ter noção do perfil de cada curso, mas é necessário ter um pensamento ‘global’. É preciso estar apto em todas as áreas dentro de Humanas.