quinta-feira, 20/02/2020
Boas Práticas

Alunas de Etec são premiadas com projeto de absorvente biodegradável

Grupo de Campinas, do 3º ano do curso de Meio Ambiente, ficou em segundo lugar no prêmio Inovar, com produto confortável e seguro

Canudinhos, sacolas, garrafas e outros tipos de plásticos vêm entrando na mira de ambientalistas pelo potencial de contaminação no meio-ambiente. Outro que virou vilão são os absorventes higiênicos. Só para se ter uma ideia do potencial de contaminação do meio ambiente, cada mulher usa, em média, 11 mil absorventes ao longo da vida. Por aí, é possível imaginar o volume que é descartado diariamente.

Foi pensando nisso que estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) Conselheiro Antônio Prado, de Campinas, desenvolveram o BioAbs, uma alternativa sustentável aos absorventes femininos.  O projeto é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de alunas do terceiro ano do curso técnico de Meio Ambiente integrado ao Ensino Médio.

O Bio Abs nada mais é do que um absorvente feminino biodegradável, que substitui o plástico por tecido 100% algodão e a camada interna de gel por um polímero biodegradável, feito à base de amido de milho e bucha vegetal. Os testes realizados confirmaram que a matéria-prima natural cumpre a mesma função de absorção que o produto convencional.

“O objetivo das alunas de desenvolver um produto sustentável que garantisse conforto, segurança e biodegradabilidade foi plenamente atingido. O Bio Abs possui excelente maleabilidade e absorção, além de um processo rápido de decomposição”, afirma Erica Gayego, orientadora do TCC do grupo. Para aumentar a durabilidade e evitar odores, os conservantes químicos também foram substituídos por substâncias naturais como óleo de alecrim (Rosmarinus officinalis) e ácido cítrico.

Erica também pontua que as jovens estavam bastante motivadas a desenvolver uma alternativa para os absorventes, que têm alto potencial poluidor. Segundo pesquisa realizada pelos estudantes para o TCC, o absorvente tradicional tem 90% de plástico em sua composição, além de aditivos químicos que demoram até 100 anos para se decompor.

O barateamento do produto foi discutido pelo grupo durante a exposição do TCC e a conclusão foi que a produção em escala e a compra de matérias-primas em grandes quantidades podem reduzir bastante o custo do absorvente biodegradável. Segundo pesquisa feita com 153 alunas consumidoras de absorventes, 83%  delas usariam uma versão biodegradável do produto e 17% talvez usassem, mas ninguém respondeu que não usaria.

O TCC destacou ainda a adesão aos novos tipos de absorventes disponíveis, como o coletor de silicone e a calcinha absorvente, e apresentou o projeto-conceito para que novas etapas de aperfeiçoamento sejam produzidas a ponto do produto ser aceito pelo mercado. Entre os ajustes possíveis está a necessidade de reduzir o custo de produção. Para o TCC foram produzidas setes unidades e cada uma delas custou R$ 15,60.

Prêmio Inovar Solvay Rhodia

O TCC foi desenvolvido pelas estudantes Alexa de Oliveira, Aline Enokawa, Clara Harumi e Flora de Andrade, com orientação das professoras Erica e Flávia de Almeida. Com essa inovação, as alunas participaram também do Prêmio Inovar Solvay Rhodia e conquistaram o segundo lugar.

O projeto vencedor da mesma edição do Prêmio Inovar Solvay Rhodia foi um biorreator para reduzir a poluição atmosférica, desenvolvido por alunos do curso de Biotecnologia, também da Etec de Campinas.