sábado, 12/02/2022
Notícia

Alunas e professoras da rede estadual se destacam na ciência

​Projetos vão desde habitar marte à redução do desperdício de merenda escolar

A ONU declarou 11 de fevereiro como sendo o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, com a finalidade de diminuir a desigualdade de gênero nas áreas STEM (da sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Para celebrar a data, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) apresenta alguns projetos de alunas e professoras da rede que se dedicam à ciência.

Eliani Marques Rocha é professora de Física da Escola Estadual Amira Homsi Chalella, em São José do Rio Preto, e foi selecionada em 2021 para participar do projeto Habitat Marte, da Agência Espacial Brasileira. A missão virtual consiste em desenvolver novas tecnologias em uma estação espacial de Marte que podem ser aplicadas na Terra. Nesta imersão virtual, são discutidos aspectos que envolvem saneamento, saúde, engenharia, energia e estufa.

Ela que também acaba de se formar em engenharia mecânica, foi a chefe da equipe de pesquisas de saneamento. Ao entrar no projeto, Eliani Rocha propôs ao coordenador do Habitat Marte e professor da Agência Espacial, Júlio Rezende, uma missão específica para os estudantes do Ensino Médio da sua escola. “Para desenvolver o projeto, entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluímos a igualdade de gênero, e, na seleção dos 24 participantes, 16 foram meninas”, destaca a professora.

O trabalho dos estudantes foi semelhante ao que a professora participou, com aulas teóricas e atividades práticas. “Foi uma experiência bem diferente e inovadora, muito além da astronomia”, conta Gabriely Gomes Luiz, aluna da 3ª série do ensino médio. “Desenvolvemos aqui na escola uma horta sustentável que foi pensada para Marte e abriu minha cabeça para a questão da sustentabilidade”.

Todos os alunos participantes receberam um certificado de astronauta análogo, expedido pela estação experimental Habitat Marte e Universidade Federal do Rio Grande do Norte. As pesquisas científicas na escola estão em fase de preparação e fechamento de parcerias. “Neste ano, pesquisaremos como produzir alimentos em Marte, em lugares de extrema escassez. Em parceria com a Fatec, vamos desenvolver um processo de desidratação de plantas com energia solar. E temos ainda um terceiro projeto para reflorestar com drones nascentes de mata ciliar na região”, declara Eliani Rocha.

Em São Carlos, na Escola Estadual Professor Sebastião de Oliveira, as professoras Bárbara Rodrigues, de Química, e Isabel Kakuda, de Biologia, desenvolvem projetos em clubes de ciências desde 2016 e a escola já conquistou diversos prêmios. O mais recente foi o primeiro lugar em 2021 para o prêmio Respostas para o amanhã com o projeto “TESLA – Reaproveitamento de resíduos orgânicos para a produção de biogás”, que desenvolve um biodigestor que transforma a comida descartada em biogás e biofertilizante, além de um aplicativo que calcula a quantidade de alimento a ser preparado pelas merendeiras com base na quantidade de alunos.

A professora Bárbara Rodrigues conta que, desde 2019, a escola tem dois clubes de ciências só de meninas: o JADes (Juntos Acabaremos com o Desperdício), que trabalha com aplicativos para evitar o desperdício de alimentos nas escolas, e o Infoladies que trabalha no desenvolvimento de um aplicativo para unir as escolas e as empresas que compram materiais reciclagem, desta forma, a escola consegue gerar renda e ainda incentiva os alunos a realizarem a coleta seletiva em suas casas.

“Várias alunas que participaram dos nossos projetos já estão na universidade em cursos de exatas como Ciências da Computação e Engenharia mecânica. A gente vê essa paixão que os clubes trouxeram para área científica e de pesquisa”, analisa Bárbara Rodrigues.

Participante do clube de ciências desde 2019, a aluna da 1ª série do ensino médio, Rebeca de Oliveira Silva lembra que “sempre gostei das áreas de exatas desde pequena, mas foi no clube que entrei em contato com a computação e a programação e, graças a ele, estou desenvolvendo meu Projeto de Vida nesta área da tecnologia e quero me aprofundar”.

Com o projeto “Análise da citotoxicidade do chá de erva cidreira, usando teste allium cepa como indicador de monitoramento”, Yasmin Faria Aleixo Ferreira, aluna da 2ª série do ensino médio da Escola Estadual Monteiro Lobato, em Taubaté, é uma das finalistas da Feira de Ciências das Escolas Estaduais de São Paulo (FeCEESP).

A estudante explica que, para a pesquisa, “escolhi o chá de erva cidreira por suas propriedades medicinais e testei com tempos de infusões diferentes para ver as alterações de citoxidade, que é a alteração nas células. Com este trabalho, percebi que os tempos de infusão é muito importante para preservar as propriedades medicinais do chá e evitar que sejam liberados componentes citotóxicos causadores de possíveis danos à saúde”.

Em Indaiatuba, na Escola Estadual Professor José de Campos, três alunos ficaram em terceiro lugar na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), sendo duas alunas. “Já é uma tradição nossa escola a participação nas olimpíadas e os resultados são frutos do esforço dos gestores, professores e estudantes que se empenham bastante”, explica a diretora Adriana Cristina dos Santos Ribeiro.

A aluna do 8º ano Ana Rafaela dos Santos Peixoto, que ficou com o bronze na OBMEP, explica que sempre teve facilidade com as disciplinas de exatas. “Mas aqui na escola os professores incentivam muito, a gente sempre participa das olimpíadas de matemática. E agora estou estudando com a melhor professora do mundo que é a Telma, de Matemática.”