terça-feira, 07/12/2021
Notícia

“Antes de questionar o que esperar, é preciso saber o que nós desejamos para os nossos alunos”, diz Rossieli, em evento sobre o Ensino Médio de SP

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo reuniu lideranças educacionais em fórum, nesta segunda-feira (6)

Com a presença de Rossieli Soares, Secretário da Educação do Estado, Centro Universitário Belas Artes de São Paulo reuniu lideranças educacionais em fórum sobre o Novo Ensino Médio, nesta segunda-feira (6). Em pauta, temas como autonomia no processo educativo, implementação em curso na rede estadual, Currículo em Ação e, principalmente, a necessidade do alinhamento da escola com o projeto de vida individual.

Previsto numa lei aprovada em 2017, o Novo Ensino Médio será realidade para os estudantes de todo o país a partir do próximo ano letivo. A proposta aproxima o estudante das transformações da sociedade e do mundo do trabalho, por meio da Formação Geral Básica e a escolha pelas áreas de mais interesse, para aprofundar e ampliar os estudos.

Ao abordar o tema, Rossieli, que liderou a reformulação do Novo EM no Ministério da Educação (MEC), em 2018, lembrou da importância dos processos de escuta ocorridos e reforçou a necessidade de uma nova forma de entendimento por parte da comunidade escolar. “Antes de questionar o que esperar do Novo Ensino Médio, é preciso saber o que nós desejamos para os nossos alunos. Esse é o processo principal. A gente fala sobre Itinerários (formativos), Aprofundamentos Curriculares, Eletivas e até da necessidade de adequação da Fuvest e do Enem. Noto que estamos preocupados com vestibular. A gente deveria estar preocupado com a formação geral do estudante. O vestibular é para poucos. Quanto mais engessamento tiver, menos oportunidade teremos”, disse.

Na sequência, o Secretário ratificou que o sucesso estudantil é possível em alguns caminhos, que vão além do ensino superior. “É um dos caminhos, mas não pode ser o único. Não podemos permitir que a Educação Básica, sobretudo a última etapa, seja somente uma preparação para o vestibular. Deveríamos perguntar mais ao aluno onde ele quer chegar. Orientar sobre as opções disponíveis para que eles não tomem a decisão baseados em um repertório pobre, não no aspecto econômico, mas no sentido que a família o pressiona a seguir um caminho único e exclusivo”, analisou.

Na rede estadual, os estudantes da 1ª série confirmaram a rematrícula e definiram os itinerários formativos de maior interesse. A partir de 2022, todas as 3,7 mil escolas de ensino médio vão ofertar, para a 2ª série, pelo menos dois itinerários formativos, que contemplem as quatro áreas do conhecimento – Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza -, além da formação técnica ou profissional via Novotec.

A estrutura do Estado de São Paulo, que oferece o Projeto de Vida desde o 6º ano do ensino fundamental também foi comentada pelo Secretário. “Na 1ª série do ensino médio, ela auxilia o aluno no processo de escolha. E na 2ª e 3ª séries essa disciplina obrigatória está linkada ao projeto eles começam a escolher no itinerário. Ou seja, já compõe um sentido, um conceito”. “Nossos alunos já fizeram escolhas, as escolas já determinaram as opções, seguindo as regras das diretrizes do ensino médio, da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Também devemos destacar a oportunidade de formação técnica e profissional via Novotec. Na Finlândia, 70% dos estudantes têm essa oportunidade. Na Itália, 56%. Na Alemanha, mais de 50%. O Brasil não pode ser o país dos 10%”, finalizou.

Entre outros convidados, também estiveram presentes o Senador Pedro Chaves, que foi relator da BNCC, Claudia Costin, diretora do Centro de Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas – CEIPE/FGV, e representantes de escolas particulares e estaduais.