quarta-feira, 09/03/2016
Sociedade

Artigo – Idesp alto: alívio e surpresa

Eliezer Pedroso da Rocha é doutor em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de SP

No último dia 4, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo divulgou o Idesp – Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo. Foi o maior índice desde 2008, quando foram estabelecidas as metas para cada nível de ensino até 2030. Assim que as escolas receberam seus resultados, foi um misto de alívio e surpresa. Alívio porque muitas aumentaram o índice, o que pode representar um bônus melhor neste ano, mas também surpresa, porque esse resultado deu-se num ano com a maior greve da categoria dos professores e com escolas ocupadas por alunos contrários ao projeto de reorganização proposto pelo governo estadual. Em conversas com algumas pessoas, ficou a dúvida em relação a essa melhora, dado que as circunstâncias eram contrárias, como foi dito acima. Vejamos.

Quando um professor aplica uma prova com 21 itens ou questões, será que consegue contemplar a capacidade de todos os alunos em responder? 
Supondo que esse professor tenha feito previamente uma divisão em seus alunos por níveis de fracos, médios e fortes. São trinta e cinco alunos na turma. Cinco com desempenho acima da média, dez alunos com desempenho abaixo da média, e vinte alunos que têm desempenho médio.

Na escolha dos itens da prova, quais deverão ser contemplados? Supondo que ele resolva equilibrar e escolher sete itens por nível de dificuldade e os alunos só conseguissem responder os itens de seu grupo de desempenho. O resultado seria o seguinte: cinco alunos que acertariam os 21 itens, vinte alunos que acertariam 14 itens e dez alunos que acertariam somente 7 itens. Supondo que os itens difíceis valessem 3 pontos, os médios 2 e os fáceis somente 1 ponto, o resultado seria dessa turma seria de 70 pontos.

Caso o professor resolvesse equilibrar um pouco mais essa prova, talvez colocasse apenas 2 itens difíceis, dez médios e nove fáceis. O resultado seria o seguinte: cinco alunos que acertariam os 21 itens, vinte alunos que acertariam 19 itens e dez alunos que acertariam 9 itens. Supondo que os itens difíceis valessem os mesmos 3 pontos, os médios 2 e os fáceis somente 1 ponto, o resultado seria dessa turma seria de 73 pontos.

Diante dessa exposição, alguém pode dizer que a prova foi mais fácil. Não se trata disso, dado que a metodologia utilizada foi a teoria de resposta ao item – TRI, mas de uma prova em que foi possível aferir a proficiência de mais alunos.

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