quinta-feira, 11/02/2021
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Asteroide descoberto por aluna de São José dos Campos em vulcão inativo do Havaí entra na lista da NASA

Micaele Gomes analisou imagens do telescópio Pan-STARRS1, parte de um projeto de pesquisa da UNESP de Bauru

O olhar atento da aluna do terceiro ano do Ensino Médio Micaele Gomes, da Escola Estadual Estevam Ferri, não passou despercebido na imensidão do espaço.

Tudo começou com a inscrição para um projeto liderado por Helena Ferreira Carrara, graduanda em Licenciatura em Física da Unesp de Bauru.

Um grupo de cinco alunos, nomeado de Astroscopy, foi desafiado a analisar um conjunto de imagens não oficiais, fornecidas por um avançado telescópio do projeto Pan-STARRS1, com quase 2 metros de diâmetro, localizado no alto de um vulcão inativo de cerca de 3.000 metros de altitude no Hawai.

Ao ver as imagens, Micaele analisou o corpo rochoso e percebeu que o mesmo estava em trajetória em linha reta. Assim foi descoberto o asteroide, chamado de forma provisória de P11bEV1.

Após o treinamento e aprovação dos coordenadores internacionais da IASC (International Astronomical Search Collaboration), coordenado pela (NASA), o grupo passou a usar um software específico de análise de imagens astronômicas do telescópio PanSTARRS.

O asteroide descoberto pela aluna da rede foi colocado na lista de descobertas no site do IASC e está designado pelo seguinte código provisório: P11bEV1. A próxima etapa agora é aguardar que os astrônomos profissionais estudem este asteroide com mais detalhes e calculem com precisão a sua órbita. Este processo pode levar de 3 a 5 anos para ser concluído.

“Eu me sinto muito feliz, extremamente realizada, eu não esperava que isso poderia acontecer. Eu sempre comento que esta descoberta significa a realização de um sonho e uma inspiração, de contribuir para a ciência. A partir de tudo isso, eu consegui realizar outros sonhos na minha vida”, comenta a aluna Micaele Gomes.

Trajetória

A história da aluna do terceiro ano do Ensino Médio Micaele Gomes, da Escola Estadual Estevam Ferri com a ciência teve início quando a jovem estava no nono ano. Desde então, foram várias competições e premiações.

“Desde o nono ano eu participo da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, o meu interesse por estudar mais o tema veio desde então. A partir dos meus resultados nesta competição, eu pude estar mais perto de ações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e Instituto Tecnológico de Aeronáutica, e assim também me aproximar da ciência, através da educação”, ressalta a aluna Micaele Gomes

Eugênio Duarte de Almeida, professor de física da estudante, fez a inscrição dela e de outros alunos para a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. O docente conta que Micaele chegou na escola no segundo ano, vinda de Pernambuco. Segundo ele, ela é autodidata, busca participações em olimpíadas e tem um currículo enorme de participações, assim que eu a conheci, busquei incentivar ainda mais ela.

“É uma emoção indescritível, impagável, uma menina jovem, de 16 anos. É um sonho realizado de um jovem estudante. Medalha de Prata na mostra brasileira de foguetes e de bronze na de Astronomia, mesmo no feito da pandemia, que é um feito notável”, lembra o professor Eugênio.