sexta-feira, 13/04/2012
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Bolinho típico e milho verde estão entre os quitutes da merenda escolar indígena

Qual a diferença da merenda escolar indígena? Muito limão espremido, frutas e a predileção pelo feijão preto estão entre os hábitos alimentares dos estudantes É meio-dia. O grito da merendeira Fabiana ecoa pelo corredor da Escola Estadual Indígena Kopenoti, em Avaí: “Está na hora da merenda”.  Em pouco menos de cinco minutos, os mais de 80 alunos […]

Qual a diferença da merenda escolar indígena? Muito limão espremido, frutas e a predileção pelo feijão preto estão entre os hábitos alimentares dos estudantes

É meio-dia. O grito da merendeira Fabiana ecoa pelo corredor da Escola Estadual Indígena Kopenoti, em Avaí: “Está na hora da merenda”.  Em pouco menos de cinco minutos, os mais de 80 alunos da escola começam a se aproximar e formam uma grande fila ao redor da cozinha. Essa mesma cena acontece em outras três escolas estaduais indígenas de aldeias vizinhas, a pouco menos de 5 quilômetros da Aldeia Kopenoti.

O cardápio do dia poderia ser confundido com um prato de uma escola convencional, se não fosse o limão nas mãos dos indiozinhos que espremem o fruto freneticamente sobre toda a comida. “Eles gostam muito de frutas, verduras e legumes”, conta a merendeira Fabiana Aparecida Alves, que já conhece a preferência das crianças há quase dois anos.

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Segundo a nutricionista do Departamento de Alimentação e Assistência ao Aluno da Secretaria da Educação, Manoela de Azevedo Marques Birolli, o cardápio dos estudantes indígenas é bem parecido com o padrão, contando apenas algumas exceções. “Nós incluímos alguns produtos da cultura deles, como feijão preto, farinha de mandioca e milho verde. Eles também fazem um bolinho típico e por isso mandamos os ingredientes para eles fornecerem todos os dias. Nós complementamos culturalmente esses ingredientes”, afirma a nutricionista.

Outra atividade em comum nas escolas indígenas é o hábito da produção de hortas. Como a comunidade mantém uma relação muito próxima com a natureza, fazer com que os alunos e professores coloquem a mão na terra é uma ótima saída para manter o contato com o meio ambiente e aprender ao mesmo tempo.

“No ano passado nós colhíamos alface, tomate e repolho da nossa horta e acrescentávamos na merenda. Vamos iniciar novamente o trabalho com a horta este ano”, conta o cacique e vice-diretor da E.E.Indígena Kopenoti, Adão Alves.


Capacitação

Os três primeiros meses do ano de 2012 foi um marco para as escolas indígenas no quesito merenda. Todas as 31 unidades do estado de São Paulo receberam uma equipe do Departamento de Alimentação e Assistência ao Aluno da Secretaria da Educação para uma capacitação com as merendeiras das escolas.

Os principais assuntos abordados nas aldeias estavam relacionados à higiene, armazenamento, preparo da comida e nutrição. O cacique e vice-diretor da E.E.I Kopenoti, Adão Alves, conta que a capacitação abriu a mente dos funcionários e que algumas coisas irão mudar depois da experiência. “Agora vamos tomar mais cuidado com a saúde alimentar das crianças dentro da escola. Foi uma experiência muito boa e jpa estamos colocando o que aprendemos em prática”, afimra Alves.

Para a diretora técnica do Departamento de Alimentação e Assistência ao Aluno e também uma das responsáveis pela capacitação, Andreia Regina dos Santos, o intuito do curso era ensinar e entender as limitações das escolas indígenas. “Percebemos que eles se esforçam para fazer tudo corretamente. A capacitação foi muito produtiva. Nosso próximo passo será complementar a dieta com mais produtos que fazem parte da cultura deles”, afirma.