terça-feira, 29/07/2003
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Cartas entre classes motiva leitura

Alunos de sete a 17 anos trocam experiências alimentados pela curiosidade de se conhecerem A partir da constatação de que os estudantes tinham dificuldades para construir frases e parágrafos, a professora de Língua Portuguesa Kellen Roschel pensou em um projeto capaz de fazer os alunos lerem e escreverem mais. Os demais vinte e sete professores […]

Alunos de sete a 17 anos trocam experiências alimentados pela curiosidade de se conhecerem

A partir da constatação de que os estudantes tinham dificuldades para construir frases e parágrafos, a professora de Língua Portuguesa Kellen Roschel pensou em um projeto capaz de fazer os alunos lerem e escreverem mais. Os demais vinte e sete professores de sua comunidade escolar concordaram em participar de uma iniciativa que motivasse os estudantes a se encontrarem e se descobrirem por meio da palavra escrita.

Na EE Professora Regina Miranda Brant de Carvalho, do bairro de Engenheiro Marsilac, zona sul da Capital, 832 alunos dos Ciclo I (1ª a 4ª), Ciclo II (5ª a 8ª) e Ensino Médio participam do projeto Cartas Entre Classes. Desde abril deste ano, são cerca de 150 mensagens circulando por dia na escola.

Os estudantes colocam as cartas nas urnas da série em que estudam os destinatários das mensagens. Há horários para o envio de cartas: antes da entrada para as aulas, nos intervalos ou no final do período. Respeitar os períodos para o depósito de mensagens nas urnas, bem como evitar o uso de palavras de mal gosto, grosseiras, de baixo calão ou gírias são regras do projeto.

Os representantes de classe ficam encarregados de recolher os papéis em suas respectivas urnas e distribuí-los aos destinatários. Cada aluno fica de posse das suas mensagens para respondê-las em seguida e uma vez por semana têm a oportunidade de comentar e esclarecer dúvidas quanto à ortografia das palavras e à concordância verbal. “Recomendamos que as cartas sejam elaboradas com o auxílio do dicionário para que o crescimento vocabular seja efetivo”, explica Elizabeth Pires, coordenadora pedagógica da escola.

Muitas cartas falam sobre meio ambiente, já que a escola fica numa Área de Proteção Ambiental (APA). O contexto suscita a discussão de temas locais e gerais, como o vazamento de petróleo no mar e o depósito de resíduos industriais nos rios. “Esses assuntos auxiliam nossos alunos a refletir mais sobre preservação e os impactos ambientais das ações irresponsáveis do homem”, afirma a diretora da unidade de ensino Roseli Andrade. “Sem falar que muitos de nossos alunos tiveram contato com uma correspondência pela primeira vez por meio dos bilhetes e cartas produzidas na escola”.

Além de motivar a elaboração e a leitura de textos, o projeto Cartas Entre Classes estimula a criatividade e a integração entre os alunos dos períodos da manhã e da tarde. Na fase inicial, o projeto se concentrou na preparação de pequenos bilhetes, de redação simples e rápida, com mensagens de otimismo, pequenos versos ou poesias de temas livres. “Recebi cartas com mensagens bonitas que elevaram minha auto-estima profissional”, confessa a professora Elizabeth.

Um pouco antes do recesso escolar os estudantes já aprimoravam o texto a partir da estruturação de cartas sobre assuntos que estão na mídia ou críticas e sugestões de cunho pessoal. A próxima etapa será a confecção de cartões temáticos que exigem, além do apuro vocabular, uma certa dose de capricho artístico.

Tatiana Pinheiro