sábado, 09/05/2020
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Confira três histórias de mães da rede estadual

Docentes contam experiência de lecionar para os filhos; Conheça a história de Dona Everalda Garcia, que completou os estudos com mais de 60 anos

Toda professora tem um pouco de mãe. Quem garante é a expert no assunto, Adriana da Costa Dias, que leciona na Escola Estadual Suely Antunes de Melo, em São José dos Campos, e teve a experiência de dar aulas para os seus três filhos. Primeiro para os gêmeos Gustavo e Guilherme, hoje com 11 anos, e atualmente para Gabriel, de 6.

Para marcar o Dia das Mães comemorado neste domingo (11), ela fala sobre esta oportunidade que, segundo ela, é muito gratificante. “Ele me chama de mãe, fala para os colegas que eu sou a mãe dele. Eu amo ser professora, e amo poder vivenciar isso com os meus filhos, é uma oportunidade muito boa.”

Adriana lembra que quando passou por essa experiência pela primeira vez, com os gêmeos, ficou receosa, mas acabou sendo algo muito tranquilo. “Em algumas atividades, no começo, eles se confundiam e me chamavam de mãe ao invés de professora”, comenta. Para ela, sempre houve uma relação de respeito.

“Pensei que essa relação poderia ser difícil, só que foi muito natural. Foi uma experiência incrível, foi um momento que eu pude perceber como nós adultos temos preocupações excessivas, como neste momento, por exemplo, de como eles iriam lidar com isso, e eles tiraram de letra. Eles sempre respeitaram o meu espaço da sala dos professores, e eu a privacidade deles, e foi sempre muito tranquilo”, ressalta a professora.

A avó que que completou os estudos com mais de 60 anos

A vontade de estudar nunca saiu da mente da dona Everalda Garcia de Almeida, de 70 anos. Ela deu inicio aos estudos na fazenda, no Paraná, o tempo foi passando e, em 1960, já em São Paulo, teve que trabalhar para ajudar na despesa de casa, depois se casou e o marido não a deixou estudar.

Foi em 2010, em Ribeirão Preto, que esse sonho se tornou realidade. A Escola Estadual Otoniel Mota, recebeu Everalda na Educação de Jovens e Adultos. “Foi lá que eu me apaixonei por Sociologia, eu gosto de humanas, na realidade, pois vai muito de encontro com aquilo que eu penso de mundo”, ressalta a ex-aluna.

“A experiência foi maravilhosa. Eu queria fazer faculdade, mas, na época em que eu estava pensando nisso, a sogra do meu filho não estava bem de saúde, e eu fui para São Paulo para cuidar dela. Eu ainda não desisti. Se eu pudesse dar um conselho para todo mundo, eu diria: concluam seus estudos. Na minha idade, eu nunca imaginava, e você passar a ter conhecimento, pra mim foi muito bom, eu amei”, completa Everalda. E complementa dizendo que todos os professores lhe tratavam com muito carinho. “Eu tive uma sala mista, na época eu tinha 60 e poucos anos, então os mais jovens sempre nos respeitavam, fomos muito bem aceitos, e essa era a minha maior preocupação”.

Desafio de dar aulas para uma disciplina que o filho não gosta

Para a diretora da Escola Estadual Professor Luiz Augusto de Oliveira, em São Carlos, Tatiana Godoy Athayde, ser professora do filho mais velho, hoje de 14 anos, foi um desafio. “Foi bacana, mas eu percebi que, quando dava aula para o mais velho [Renato Athayde Quirino], no início rolou uma dificuldade de separar mãe e professora. Ele sempre falava que sentia mais cobrança por ser filho da professora. Meu filho não gosta de artes, e eu era professora desta disciplina, e quando e ele conseguia completar alguma atividade era muito motivador”, comenta a docente.

Hoje ela é professora da filha mais nova, Larissa, de 6 anos, e comenta que quando vai dar um recado em sala de aula, a pequena fica acanhada com a presença dela, mas que também tem uma relação muito gostosa com ela dentro da escola.

Ambiente familiar na escola

A Escola Estadual Suely Antunes de Melo, em São José dos Campos, é um ambiente familiar para a professora Cristiane Flausino Fernandes Brandão. Foi lá que seu filho se formou, sua filha estuda atualmente, e sua tia, maior incentivadora para que seguisse na carreira de professora, também já integrou o quadro de docentes.

“Eu tive a oportunidade de atuar em sala de aula junto com a minha tia, em uma escola pública da periferia de São José dos Campos, e eu pude colocar em prática aquela vontade de ser professora”, diz. “Hoje o meu filho mais velho também é professor, de educação física, e e quando eu olho para ele, eu me orgulho muito”, complementa.