quinta-feira, 17/03/2005
Últimas Notícias

Discípula de Jean Piaget faz a abertura do Seminário Internacional de Leitura e Escrita

O aprendizado deve ser eficiente para a realidade do aluno, defende Emília Ferreiro A psicóloga e pesquisadora Emilia Ferreiro concedeu nesta quarta-feira/16 palestra sobre “Alfabetização, letramento e construção das unidades lingüísticas” para centenas de professores e ATPs (Assistentes Técnico-Pedagógicos) da rede estadual de ensino. Argentina radicada no México, Emília Ferrero foi aluna de Jean Piaget […]

O aprendizado deve ser eficiente para a realidade do aluno, defende Emília Ferreiro

A psicóloga e pesquisadora Emilia Ferreiro concedeu nesta quarta-feira/16 palestra sobre “Alfabetização, letramento e construção das unidades lingüísticas” para centenas de professores e ATPs (Assistentes Técnico-Pedagógicos) da rede estadual de ensino. Argentina radicada no México, Emília Ferrero foi aluna de Jean Piaget durante seu doutorado na Universidade de Genebra e é autora da teoria da psicogênese do sistema de escrita. A pesquisadora fez a abertura do Seminário Internacional de Leitura e Escrita, que se realiza no Clube Juventus, em São Paulo.

Segundo ela, a grife construtivismo teria emplacado literalmente em várias escolas, porém estaria sendo, muitas vezes, mal aplicada. O importante, para Ferreiro, é que o aluno tenha a possibilidade de fazer um aprendizado eficiente.

Emilia relata que antes de suas pesquisas, “a criança era vista como um ser completamente maleável (aos métodos de ensino), mas quando não aprendia quanto ou quando se era esperado acreditava-se que o culpado fosse o próprio aluno, sua família ou mesmo sua origem social”. Com a psicogênese da escrita, o aluno sai de passivo para a função de protagonista do próprio conhecimento, os chamados fatores negativos não são mais impedimentos, pois todos podem aprender. O fundamental é aceitar e valorizar o repertório que cada criança traz consigo.

Alfabetização X Letramento

A distinção entre alfabetização e letramento, seria um debate mais acadêmico do que prático: “tanto faz o nome que se dê, desde que só haja uma única política de ação” e que esta leve em consideração os diversos estágios de aprendizado em que se encontram os alunos. A meta a ser perseguida é o fim do analfabetismo funcional: o estudante deve adquirir instrumentos para ler, escrever e interpretar de acordo com o contexto sócio-cultural que lhe é habitual. Não há um prazo para que o processo se complete porque ele é construído continuamente: cada área do conhecimento requisita, portanto, seu próprio letramento.

A maior dificuldade estaria em lidar com crianças que tiveram pouco contato com a escrita e a leitura antes de entrarem na escola, mas ainda assim isso não há empecilho nem motivo para descriminação, afinal “mesmo adultos quando aprendem algo completamente novo tem dificuldades de assimilação”.

“Não basta que o professor compreenda o que o aluno escreveu, é preciso levá-lo a refletir e comparar sua produção com os colegas”, continua Emília, para assim inseri-lo num mundo em que ele já está mergulhado desde o berço, o mundo da escrita. “O mestre que socializa as experiências de cada aluno com a turma alcança resultados maravilhosos”, conclui.

Do fácil ao difícil ou o caminho se faz ao caminhar

Um importante degrau no aprendizado da criança seria o de aprender a reconhecer e a grafar o próprio nome “não importa se ele é fácil ou difícil de se escrever porque o próprio nome é um instrumento de identificação da criança, então todas elas devem aprender a usá-lo da forma escrita” afirma Emília Ferreiro. Ao trabalhar os diferentes nomes, o professor dará a criança a possibilidade de gerar seu próprio sistema de análise da escrita.

Após duas horas de exposição, Emília se mostrou bastante animada com os resultados futuros: “Ao ver tantos professores buscando esse conhecimento, acredito que a utopia de eliminar a exclusão da alfabetização pode ser realizada”.