terça-feira, 09/04/2013
Professores e Funcionários

Educadores de todo o mundo mostram como é possível reinventar a maneira de ensinar

Iniciativas apresentadas na Transformar 2013 dão perspectivas para novos formatos de escola

A reinvenção das escolas como as conhecemos hoje já começou. Professores e gestores ao redor do mundo já pensam – e colocam em prática – novas formas de transmitir conhecimento para uma geração de estudantes cada vez mais atuante no próprio processo de aprendizado. Essas novas perspectivas, inspiradas por iniciativas reais, foram apresentadas para aqueles que acompanharam o congresso de educação Transformar 2013, realizado pela Fundação Lemann na última semana, em São Paulo.

O ponto principal para começar a transformação nas escolas, de acordo com os palestrantes que passaram pelo congresso, está na personalização dos conteúdos. Essa mesma estratégia foi apontada como o fator de sucesso pelas educadoras Melissa Agudelo, do método High Tech High, e Diane Tavenner, do Summit School, ambos aplicados em escolas dos Estados Unidos. “As escolas estão moldadas para ensinar a todos os alunos de maneira igual quando, na verdade, cada um tem especificidades diferentes”, explica Diane.

O projeto apresentado por Diane em muitos pontos se assemelha ao novo modelo de Escolas de Tempo Integral, implantado na rede estadual de ensino de São Paulo desde 2012. Assim como aqui, os alunos são incentivados por professores a traçarem seus projetos de vida e os conteúdos oferecidos levam em conta seus planos e sonhos para o futuro. A autonomia dos jovens, que nas Escolas de Tempo Integral é trabalhada nas ações de protagonismo juvenil, também é incentivada. “Os alunos devem aprender a direcionar seus estudos, pois assim se tornarão pessoas com a habilidade de aprender sempre”, afirma.

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Nas escolas que adotaram o modelo sugerido por Melissa Agudelo, também semelhante ao implantado na rede estadual paulista, os resultados já começam a surgir. De acordo com a educadora, 100% de seus alunos seguem para o Ensino Superior. “A vida vai além das salas de aula, por isso os alunos precisam ver significados para suas vidas naquilo que aprendem nas escolas”, comenta Melissa.

Inovação

Levar inovação para a sala de aula não depende, exclusivamente, de novas tecnologias. Essa foi a mensagem deixada pelo educador Brian Waniewski, do Institute of Play, outro método de ensino aplicado em escolas americanas. No modelo proposto por Brian, os conteúdos são integrados a jogos. Os estudantes recebem grandes “missões” que abrangem diversas disciplinas e demandam, além do conhecimento sobre as matérias, raciocínio lógico e trabalho em grupo para sua resolução.

Engana-se quem pensa que os jogos propostos utilizam alta tecnologia. A maioria dos games é feito em tabuleiros ou moldes de papel, produzidos pelos educadores da escola. A avaliação também é diferenciada e leva em conta a integração com os colegas e as soluções encontradas para as missões dos grupos.

Escala

A aplicação desses modelos em uma grande rede de escolas, como a que existe em São Paulo, no entanto, não é uma solução definitiva. De acordo com a educadora Melissa Agudelo, até mesmo iniciativas bem sucedidas devem ser analisadas por outra perspectiva. “Nem sempre o que funciona para uma escola, funcionará para a outra”, explica.

Melissa acredita que, para atender as necessidades dos alunos, é preciso que cada professor crie e desenvolva estratégias para ensinar seus estudantes de acordo com suas especificidades. A opinião é reforçada por outra palestrante, a educadora Diane Tavenner. “Para que as escolas atendam a nova geração de alunos é preciso redesenhá-las como um todo e repensar o papel de cada um dentro desse sistema”, conclui.