quinta-feira, 24/03/2005
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Escola da Juventude Dona Francisca, 58 anos, quer ser enfermeira-padrão

Ela ficou mais de 20 anos sem estudar. Auxiliar de enfermagem, dona Francisca tem a vocação no sangue. Mas, só agora, ganha a oportunidade de concretizar o antigo sonho: chegar ao topo da carreira, como enfermeira-padrão. Por isso, não pestanejou quando soube que o Governo do Estado estava oferecendo um curso supletivo que convida de […]

Ela ficou mais de 20 anos sem estudar. Auxiliar de enfermagem, dona Francisca tem a vocação no sangue. Mas, só agora, ganha a oportunidade de concretizar o antigo sonho: chegar ao topo da carreira, como enfermeira-padrão. Por isso, não pestanejou quando soube que o Governo do Estado estava oferecendo um curso supletivo que convida de volta aos bancos escolares qualquer um que queira concluir o Ensino Médio.Era tudo o que ela precisava.

A idade não seria obstáculo: afinal, embora o programa Escola da Juventude tenha sido idealizado para uma faixa etária entre 18 e 29 anos, seu objetivo primordial é o de proporcionar a oportunidade de reinserção para qualquer pessoa que, independentemente da idade, não deu continuidade aos estudos.

E, com certeza, o sonho imediato da maioria dos que voltamagora aos bancos escolares é o mesmo de dona Francisca: “Sou auxiliar de enfermagem e o meu sonho é ser enfermeira-padrão. Preciso concluir o Ensino Médio para atingir meu objetivo”, diz, já anunciando seus planos para a etapa seguinte. “Vou tentar uma bolsa na Faculdade da Terceira Idade, da Universidade Católica de Santos (UniSantos). É ótimo voltar a estudar”.

Na mesma trilha de dona Francisca, a aluna mais velha entre os 80 matriculados na EE Azevedo Junior, em Santos, estão o auxiliar de serviços gerais Alessandro Cavalcanti da Costa, e a instrumentadora cirúrgica Marcirene dos Santos Fernandes. Os projetos de cada um até podem ser diferentes, mas o objetivo é o mesmo: “Concluir a educação básica hoje é uma necessidade”, diz Marcirene, enquanto Alessandro elogia a iniciativa e prevê um futuro melhor: “Agora vou poder trabalhar e estudar”.

Na Baixada Santista, a primeira semana as aulas nas sete escolas de seis cidades da Baixada Santista começaram no dia 19. São 700 vagas na região. Em Santos, além da EE Azevedo Junior, o Escola da Juventude, que é integrado ao Programa Escola da Família, também está presente na EE Gracinda Maria Ferreira. Em São Vicente (EE Leopoldo José de Sant’Anna), em Mongaguá (EE Aracy de Freitas), em Peruíbe (EE Carmem Miranda), em Guarujá (EE Milton Borges), e em Bertioga ( EE Archimedes Bava).

O programa disponibilizou 30 mil vagas para 300 escolas em todo o Estado. O curso é dividido em módulos – um deles é obrigatório, o de Linguagens e Códigos (Língua Portuguesa e Literatura, Educação Artística e Língua Inglesa) e os alunos devem freqüentá-lo no sábado à tarde ou no domingo de manhã. O módulo optativo é o de Ciências Humanas (História e Geografia).

Na sala de aula os alunos dispõem de um orientador de estudos e na de Informática um monitor. Aliás, o programa, além de possibilitar a conclusão do ensino Médio em 18 meses, proporciona a oportunidade de inclusão digital mesmo para quem o computador ainda seja um ilustre desconhecido.

O material didático é gratuito: cada aluno recebe 10 livros, que serão utilizados durante os três semestres do curso. A avaliação será contínua, com provas bimestrais e exame final para a conclusão do módulo. Até lá, o que vai prevalecer é a garra, a vontade e a disposição de cada um dos participantes. Como dona Francisca, que ainda no segundo semestre deste ano poderá realizar o seu sonho e iniciar o caminho de outro: ser recepcionada como a mais nova caloura da UniSantos e futura enfermeira-padrão.

Renata Ferrarezi