segunda-feira, 16/01/2012
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Escola se transforma em polo de atendimento a alunos com deficiência auditiva

Escola Estadual Ernesto Monte, em Bauru, mostra como integração entre alunos com deficiência  e estudantes regulares geram benefícios e aprendizado a todos   O som ecoa pelos corredores. É dia de ensaio do coral da EE. Ernesto Monte, em Bauru. No palco, alunos dançam entoando frases que falam de superação e perseverança. “É preciso saber viver”, […]

Escola Estadual Ernesto Monte, em Bauru, mostra como integração entre alunos com deficiência  e estudantes regulares geram benefícios e aprendizado a todos

 

O som ecoa pelos corredores. É dia de ensaio do coral da EE. Ernesto Monte, em Bauru. No palco, alunos dançam entoando frases que falam de superação e perseverança. “É preciso saber viver”, diz a música. E eles sabem.

Diferentes idades, alturas e tipos físicos se misturam no anfiteatro da escola. Mas as diferenças entre eles não param por aí. Lá, entre os 1480 alunos, cerca de 40 estudantes portadores de necessidades especiais interagem e ensinam como as diferenças podem aproximar ainda mais as pessoas.

“Eu sempre tive medo do silêncio. Mas aprendi com eles a ficar quieta, a falar pouco. Agora não ligo de ficar calada, não”, diz Débora Morais Lopes, da 3º série do Ensino Médio. Ela, que nasceu com problemas de visão, aprendeu a dominar seus medos pela convivência com portadores de deficiência auditiva.

No palco, alunos com deficiências cantam por meio da linguagem de sinais (Libras), misturados aos estudantes regulares e amparados por uma tradutora. Com afinidade e afinação eles enchem de música o ouvido de quem passa pelos corredores. A convivência, garantem, se tranformou em amizade.

A integração entre alunos portadores de necessidades especiais e alunos de turmas regulares é algo defendido por diversas correntes pedagógicas, principalmente quando o foco está no desenvolvimento de jovens com algum tipo de deficiência. E os alunos regulares? Estes ganham de presente a oportunidade de aprenderem com a inclusão dos colegas.

“Desde que entrei na escola já via deficientes auditivos e também alunos andando de cadeira de rodas. Acho que a escola foi se adaptando para que esses alunos que têm dificuldades também conseguissem usufruir daqui”, afirma Ana Laura Padovan, aluna da 3ª série  do Ensino Médio e integrante do coral da escola.

A fala da estudante só reforça o que a escola de Bauru tem buscado alcançar: se tornar a primeira escola bilíngue do Estado. O objetivo é que todos os estudantes e funcionários da unidade aprendam Libras e que a família e a comunidade também estejam incluídas no processo de aprendizagem.

“Quando nós percebemos que a nossa escola estava sendo polo de atendimento de deficientes auditivos, nós tivemos que participar e elaborar projetos para interagir e envolver esses estudantes”, afirma a coordenadora de Educação Especial da Escola Estadual Ernesto Monte, Ana Maria Pedon.

Hoje, por exemplo, a interação entre os alunos da sala regular com os alunos com deficiência auditiva acontece sem grandes dificuldades, com o auxílio de um interprete de línguas. A ideia é que além desses especialistas, os próprios professores e funcionários também sejam capacitados, facilitando ainda mais o processo de comunicação na escola. “Não tem porque ter diferença de tratamento só porque um anda direito e o outro não. O importante é todo mundo se ajudar, pra evoluir”, define com sabedoria a aluna Ana Laura Padovan.