quinta-feira, 07/06/2018
Boas Práticas

Escola Ibrahin Nobre trabalha na construção de um centro de memórias

As atividades fazem parte da comemoração dos 40 anos de inauguração da unidade

Um grupo de estudantes bastante interessados pelo passado de seu patrono passou um dia inteiro nas dependências da Secretaria da Educação. Na ocasião, aprenderam como funciona um centro de memória e, também, como montar um departamento que conte como tudo começou em sua unidade escolar. Matriculados na EE. Ibrahin Nobre, todos fazem parte do projeto que comemora os 40 anos do colégio.

“A nossa escola completa 40 anos agora em agosto, dia 29. Desde 2015, a gente tem revisitado a história da escola, revisitado a comunidade local, os alunos que passaram por lá e os professores que também passaram por lá. Hoje a gente tem uma movimentação interessante na unidade. Então temos muitos vídeos, fotografias. Enfim, a gente quer colocar tudo isso daí para ser utilizado no dia a dia da escola”, explica o professor de História, Renato costa.

A aluna Mariana de Araújo Assis, 15, achou o passeio pela Secretaria interessante. “A gente aprendeu muita coisa aqui e temos que levar tudo para a nossa escola, para aplicar no nosso projeto. A escola não é só um lugar que você frequenta por frequentar, você tem que saber a história dela”, comenta.

Simone Palmieri, 15, também estuda na unidade e concorda com Mariana. “Eu acho que é uma coisa necessária resgatar a história da escola. O passado influencia no futuro. E não aumenta só o carinho pela instituição, mas a motivação em estudar também”, acredita a aluna sobre a aprendizagem dos estudantes.

Garimpando a história

Tudo começou em 2014, quando os professores entenderam que deveriam tornar a unidade mais aberta à comunidade. Assim, em 2015 retomaram atividades antigas que deixaram de ser uma prática, como festas juninas e outras mais, e convidaram os vizinhos para que comparecessem. O projeto não previa apenas a movimentação da comunidade dentro dos portões, mas a reconstrução da história local com a Ibrahin Nobre como pano de fundo.

Perceberam que não havia nenhuma imagem do patrono. Uma aluna, na época, a Giovana Guileri, por ter habilidades com a pintura, ofereceu seus serviços e presenteou a todos com um quadro do patrono, que viveu entre 1880 e 1970. Ibrahin de Almeida Nobre foi jornalista, escritor e muitas outras coisas. Membro da Academia Paulista de Letras, foi considerado o herói e o “tribuno” da Revolução Constitucionalista de 1932.

No ano seguinte, todos se juntaram e revitalizaram a biblioteca e, em 2017, foi a vez de dar nova roupagem ao laboratório de Ciências da natureza. “Então nos últimos anos a gente conseguiu presentear a escola, presentear nossos alunos com biblioteca, com laboratório, com horta, com sala de vídeo”, conta o professor.

Luana Del Carmen Gamarra Piccine, 16, conta que o projeto dos 40 anos está em desenvolvimento. “Eu cuidei ano passado da construção do laboratório e ajudei na catalogação dos livros da biblioteca”, disse a aluna. Segundo ela, “começar esse projeto foi muito legal pois vários alunos foram incentivados a participam como protagonistas. Alguns que antes eram desinteressados começaram a ajudar e hoje estão fortalecidos na unidade, melhoraram suas notas, interagem melhor com os outros alunos e até frequentam a biblioteca”, relata a garota.

Tudo andou muito rápido, pois as propostas lançadas pelos professores eram prontamente abraçadas pelos alunos. “Os nossos resultados são gigantescos, graças aos nossos alunos! E o cuidado com o prédio púbico aumentou também. As pichações diminuíram, a área verde da escola foi revitalizada. Na área verde, ano passado, nós trabalhávamos 4 dias por semana, por exemplo” afirma Renato Costa.

“Quando os professores começaram iniciaram essa mudança toda, como a abertura dos portões da escola para a comunidade, a execução de trabalhos extracurriculares, o início da construção da história da unidade, os alunos que davam problema começaram a sofrer transformação. Eles mudaram suas atitudes e passaram a ter mais interessa na escola”, elucida Isabel Cristina Arlindo, Agente de Organização Escolar.

Ao relembrar todo esse movimento, o professor Renato se emociona e deixa que algumas lágrimas caiam de seu rosto. Isso por sentir que formam uma família. “Sempre se fala que o aluno tem que aprender, mas nós professores também aprendemos muito com eles. A aula mais importante não é aquela de 50 minutos na sala, são aqueles cinco minutinhos no corredor que a gente conversa com o aluno, aqueles encontros fora da escola”, diz.

Luana Del Carmen Gamarra Piccine, 16, acha a relação de proximidade entre alunos e professores sadia. “Só passar conteúdo na lousa não faz o aluno aprendem. Quando eles se aproximam, o professor entende como o aluno funciona e isso gera artifícios que melhoram a aprendizagem”, entende.

E assim, de pouco em pouco, de projeto em projeto, ano a ano, juntos constroem uma escola melhor. “Aqui, por exemplo, visitando o Memorial da Educação, tem 12 ou 13, mas o trabalho deles na escola é de milhões de pessoas”, enfatiza Renato.

Acervo Ibrahin Nobre

Os alunos entenderam como se inicia o trabalho de um acervo histórico, após visitarem a Secretaria da Educação. Agora, estão trabalhando para que no dia 29 de agosto seja inaugurado o próprio centro de memórias da escola estadual Ibrahin Nobre. “A gente tinha uma sala do arquivo morto, e hoje os alunos estão trabalhando para que o acervo seja instalado lá. Eles fazem entrevistas com ex-alunos e ex-professores, além de alunos e professores que frequentam a escola atualmente. Nesse trabalho nós descobrimos objetos antigos da escola, que estavam sendo guardados por pessoas da comunidade e que foram cedidos por empréstimo”, explica o professor de História Renato Costa.

A história do patrono já está na ponta da língua. “Um grupo de alunos cuida desse assunto. E é uma parte importante da história do Brasil. Nós conseguimos revisitar um período muito importante da história, pois ele fez parte da revolução de 32, nasceu em 1888, ano da abolição, morreu em 1970, já em plena ditadura. E o aniversário da escola será o start para tudo isso”, comemora Renato.