sexta-feira, 07/05/2010
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Escola resgata a cultura do “Diário” entre alunos como estímulo à escrita

Implementado pela EE Therezinha Sartori, em Mauá, o Projeto Diário incentiva uma prática saudável, que foi esquecida pelas novas gerações, mas ainda cativa os adolescentes, sendo uma ferramenta eficiente para o desenvolvimento da escrita  A Escola Estadual Therezinha Sartori, em Mauá, está revivendo uma prática que parece ter sido esquecida pelas novas gerações. Por meio […]

Implementado pela EE Therezinha Sartori, em Mauá, o Projeto Diário incentiva uma prática saudável, que foi esquecida pelas novas gerações, mas ainda cativa os adolescentes, sendo uma ferramenta eficiente para o desenvolvimento da escrita

 A Escola Estadual Therezinha Sartori, em Mauá, está revivendo uma prática que parece ter sido esquecida pelas novas gerações. Por meio do Projeto Diário, a escola tem estimulado seus alunos a adotarem a cultura do diário como forma de praticar a escrita, exercitar a criatividade e expressar sua visão e anseios sobre a vida. Segundo a professora de língua portuguesa, Rita de Cássia Fiacadori, coordenadora do projeto, a ideia surgiu em meio à febre de livros e filmes sobre diários que atraem a atenção dos adolescentes, como Diários do Vampiro, Diário da princesa, O diário de Bridget Jones e tantos outros. “Aproveitar esse paradigma para criar um hábito tão importante é essencial. Escrever todos os dias sobre sua vida, suas experiências, suas impressões, além de ser um hábito saudável, um desabafo, uma companhia, ainda desperta nossos jovens para o prazer de escrever”, declarou a professora.

Participam do projeto alunos do 6º ano Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. Diariamente, os estudantes produzem textos com a liberdade de registrar o seu cotidiano e expressar seus sentimentos, pensamentos e emoções, seja por meio de uma letra de música, um poema, uma narração ou outro gênero. A cada semana o aluno deve escolher a página que mais o agradou, com um texto que possa ser exposto. O texto será analisado pelo professor, que também verificará o diário (apenas a referida página, claro). A prática proporcionará aos estudantes desenvolver a criatividade na produção de textos dos mais diversos gêneros (descrição, narração, dissertação, entre outros), à medida que têm liberdade para registrar suas impressões do cotidiano da maneira como quiser.

Além de ser uma companhia para desabafar, extravasar, um lugar seguro para colocar pensamentos e desejos, o diário ajuda a despertar no adolescente a vontade de escrever sobre sua vida, seus objetivos, interesses, expectativas. “No futuro, ao ler seus textos, ele se lembrará de tudo que sonhou, se lutou por seus sonhos, o quanto alcançou. Quando as nossas escolhas passam a ser fruto da observação das nossas histórias aprendemos com as próprias experiências e tomamos decisões mais acertadas que podem mudar o rumo da nossa vida. Dessa forma ele perceberá que é parte essencial para as transformações, melhorias e desenvolvimento do ambiente em que atua, seja na família, na escola, na sociedade”, comenta Rita de Cássia.

E os alunos aprovaram a ideia. Alguns se empolgaram tanto que no dia seguinte à apresentação da proposta já estavam com o diário em mãos. “Amei o projeto. Escrevo todos os dias, sem esquecer de nenhum detalhe. Ainda não acostumei com a ideia de me abrir com o diário, é meio difícil, mas estou tentando”, conta a aluna Vitória da Cruz Nascimento, de 10 anos, do 6º ano. Para Giovanna Bernardo de Brito, de 13 anos, aluna do 9º ano, o diário é um meio de expressar suas emoções. “O que mais adoro é que posso escrever o que quiser. Então escrevo desde críticas sobre lugares até poesias”, disse.

O projeto ajudou inclusive a quebrar aquele estigma de que diário é coisa de menina. “É um meio de se expressar, independente de ser menina ou menino”, salienta Lucas Medrado Furini, de 12 anos, aluno do 6º ano, que também adotou a prática a partir do projeto. “No começo achava estranho, não sabia ao certo para que servia, só escrevia relatório. Aí a professora me explicou como funcionava e comecei a escrever não só o que acontecia comigo, mas também o que eu sentia. Descobri que a gente pode se abrir com ele, contar coisas que não poderia contar para outras pessoas. Ele é um amigo confidente”, conclui Lucas.