segunda-feira, 07/05/2018
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Boas Práticas

Escola utiliza Método de Melhoria de Resultados para criar plano de recuperação

Em 2017, a Secretaria da Educação implantou o programa Gestão em Foco em 1.082 escolas estaduais

Na escola Canuto do Val, localizada no bairro Bom Retiro, na capital paulista, a equipe gestora decidiu criar o “Plano Unificado de Recuperação Contínua” a fim de melhorar os índices de aprendizagem nas disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa. Para isso, utilizaram as técnicas do MMR – Método de Melhoria de Resultados. Como resultado, atingiram o esperado em português e elevaram o conhecimento dos estudantes na matéria de exatas.

A unidade decidiu, então, formar um grupo articulador do MMR para elaborar algumas ações. Com isso, foram levantadas 10 habilidades prioritárias em defasagem da escola, nas disciplinas citadas acima. Em ATPC’s, os professores estudaram e prepararam atividades diversificadas e multidisciplinares de todos os componentes curriculares com estas habilidades.

Na sequência, um calendário de desenvolvimento das habilidades semanais dos alunos foi organizado. E, no final do processo, elaboraram um simulado com as habilidades estudadas para todos os alunos da Canuto do Val. “Depois de trabalhar as habilidades com maior defasagem, fizemos um simulado. Recolhemos esses resultados, tabulamos e tivemos um diagnóstico bem preciso do que poderíamos melhorar”, explica a professora coordenadora Silmara Naftal.

A diretora ingressante Norinês Panicacci Bahia já chegou na Canuto do Val se inteirando sobre o MMR, e o avalia como uma ferramenta valiosa. “Eu não conhecia o método. Ele tem um objetivo claro e forte, que é promover a melhoria contínua da qualidade do aprendizado”, explica.

“Acho que fez diferença usar o MMR porque eu já tive a oportunidade de participar de alguns processos de recuperação e nunca deu muito certo, por vários motivos”, explica a professora Daniela Iara Pereira Schneider, de Língua Portuguesa. Ela conta que aplicou a técnico com alunos da 2ª e 3ª séries do Ensino Médio, e enxerga a aprendizagem nos alunos que ainda não se formaram. “Alguns tópicos que a gente trabalhou ano passado já apareceram esse ano para os alunos que agora estão na 3ª série, e eu percebi que eles conseguiram focar melhor”, completa.

Lucas Mendes Padraglia, que atualmente cursa a 3ª série do Ensino Médio, avalia que “houve uma grande melhoria”. O aluno conta que percebeu o aumento na nota geral da sala, “nos 1º e 2º bimestres as notas eram mais baixas e depois, nos 3º e 4º bimestres, as notas eram mais satisfatórias”, conta.

Outro aluno, o Claudio Vinicius de Lima Cardoso, também da 3ª série, entende que o projeto ajudou bastante os alunos porque a maioria se engajou, e recomenda o Método de Melhoria de Resultados para toda a rede estadual. “Todo mundo partiu pra cima, com garra e vontade. E eu indico ele [o MMR] para todas as escolas, porque é possível melhorar o ensino partindo de dentro também”, finaliza.

Daniela também avalia o projeto como uma excelente forma de capacitação dos professores. “Eu achei interessante o espaço que tivemos para conversar com os pares. A gente [normalmente] tem uma reunião pedagógica por semana, e minhas colegas de Língua Portuguesa nem sempre fazem no mesmo horário que eu. Então no MMR a gente teve que sentar, todas as professoras de português da escola, para conversar sobre o que a gente iria trabalhar. Com os professores de outras disciplinas a mesma coisa. Isso é uma coisa que a gente não encontrava espaço, e acho que foi importante”, conclui Daniela Schneider.

Com tanto trabalho, nada poderia ser diferente do que colher bons frutos. E os resultados foram surpreendentes, como: o fortalecimento do estudo das habilidades com o corpo docente e do planejamento de atividades partindo das habilidades; avanços na aprendizagem das habilidades prioritárias da unidade escolar; o grupo docente aprofundou os estudos das habilidades, fortaleceu o planejamento e o desenvolvimento de atividades com destaque para as habilidades; e a escola alcançou os resultados satisfatórios em Língua Portuguesa e melhorou em Matemática, embora algumas das habilidades deste componente curricular ainda continuem como um grande desafio.

Mais uma vez o Método de Melhoria de Resultados se provou forte aliado na gestão educacional. Com suas contribuições, houve o fortalecimento do trabalho em grupo. Planejar, desenvolver e articular todas as ações do Plano de Melhoria contribuiu muito para o resultado do trabalho desenvolvido.

Sobre o Programa Gestão em Foco

Em 2017, a Secretaria da Educação implantou o programa Gestão em Foco em 1.082 escolas estaduais, de 13 diretorias de ensino da cidade de São Paulo. O programa utiliza o Método de Melhoria de Resultados para que as escolas conquistem avanços educacionais, pedagógicos e de gestão.

Em conjunto com a associação Parceiros da Educação, que conta com empresas, empresários e organizações da sociedade civil para auxiliar a Secretaria em projetos educacionais, uma experiência-piloto foi realizada em 2016, em 77 escolas da região leste de São Paulo.

Durante o período, a média dos alunos do Ensino Médio no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) registrou crescimento de 15% se comparado à edição de 2015. A expectativa é que, em 2019, todas as 91 Diretorias de Ensino estejam envolvidas no Programa.