quinta-feira, 03/05/2018
Boas Práticas

Estudantes trabalham na criação de dispositivo de combate ao assédio

A iniciativa é proposta na eletiva “Conectando IOT”, ministrada aos alunos da escola Culto à Ciência, em Campinas

Aos alunos da rede estadual paulista são apresentadas em sala de aula disciplinas ligadas ao empreendedorismo, às noções coorporativas e à educação financeira, entre outras. Com isso, se estimula a criatividade dos estudantes e faz com que os mesmos tenham mais opções na hora de escolher que profissão seguir. Eles podem, com isso, desenvolver o seu próprio negócio autônomo. Na unidade de ensino integral Culto à Ciência, em Campinas, a eletiva “Conectando IOT” leva os alunos a desenvolverem projetos tecnológicos que podem coloca-los na esfera dos empresários antes mesmo que terminem o Ensino Médio.

“No semestre passado [2017] eu entrei na eletiva de programas, e era uma área que eu tinha curiosidade. Foi engraçado, porque eu me encontrei e acabei prestando o Técnico. Estou fazendo no Cotuca [Colégio Técnico de Campinas, ligado à Unicamp], de noite, o curso de Desenvolvimento de Sistemas e é a área que eu quero seguir”, conta a aluna Victoria Deorio Silva, 16.

Quando mais nova, Victoria desejava seguir a área de Direito. Chegou a fazer a eletiva relacionada na Culto à Ciência, mas não se encontrou. Foi aí que resolver se matricular em aulas de diferentes áreas, quando teve contato com a tecnologia e gostou. Algo semelhante aconteceu com Matheus Ruffo, de 15 anos. O adolescente se vê seguinte a profissão e já faz planos para o futuro. “Ano que vem vou fazer um curso numa escola técnica, o Senai, e quando terminar o ensino Médio pretendo fazer engenharia mecânica ou elétrica”, afirma.

“Conectando IOT” (Internet of Things ou Internet das Coisas, em tradução livre), a eletiva incentiva os adolescentes a estudarem sobre inovação para desenvolverem uma start up. A proposta é criar uma ferramenta tecnológica que ajude a resolver um problema social. Uma das iniciativas apresentadas pelos alunos foi o aplicativo para celular que colabora no combate a casos de assédio no transporte público.

A ideia é fazer um sistema automático que consiga identificar possíveis casos de assédio pelas câmeras de segurança dos ônibus. Com a detecção, um alarme sonoro é disparado e todos os usuários são alertados sobre o crime. Com isso, o sistema inibe a prática e a corta pela raiz.

Victoria esclarece que os estudantes vivenciam a fase final das pesquisas. “Depois vamos montar e fazer a parte dos testes. Vamos resolvendo os problemas de cada etapa, até que o resultado fique bom”, explica a aluna. “E é muito legal ver os colegas correndo atrás para desenvolver, fazendo de tudo para dar certo. E nós estamos fazendo por nós mesmos, nada é imposto, a gente vai atrás. E por isso é bem legal!”

O objetivo de aprendizagem da disciplina é que a turma não seja apenas capaz de formatar a criação de uma start up, mas também de apresenta-la de maneira adequada a investidores. “A nossa preocupação é dar subsídios para que os estudantes possam tirar seus sonhos do papel. Sabemos que não basta ter uma ideia ótima. É preciso saber estrutura-la e torna-la viável”, comenta o professor da disciplina, Anderson Vieira dos Santos.

Quando as eletivas são planejadas na escola Culto à Ciência, professores e coordenação visam, primeiramente, a vida dos alunos e os interesses dos educandos. Com isso, não tem como um dos eixos da unidade ser diferente de disciplinas relacionadas à engenharia da computação, informática, ciência da computação, etc., tudo aliado ao currículo do Estado.

“Em relação à importância, partindo desses próprios interesses, a gente vê como isso pode ser um aliado da escola para desenvolver aprendizagem para os alunos. Por exemplo, no semestre anterior os alunos desenvolveram um App para a escola. Agora eles estão trabalhando em função da internet das coisas pensando em quais benefícios podem levar para a comunidade escolar”, comenta o professor coordenador geral da Culto à Ciência, Glauber Maldonado Ferreira.

Em 2017, a proposta da eletiva de Tecnologia era desenvolver um App que facilitasse algumas tarefas do dia a dia da unidade, como, por exemplo, as escolhas de eletivas que eram feitas utilizando fichas em papel. O programa criado pelos alunos digitalizou não só o sistema de escolha de eletivas, mas também o clube juvenil, a escolha de tutor, o calendário da escola e até o cardápio de merendas.