quarta-feira, 30/03/2005
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Medidas educativas para melhorar a qualidade dos produtos servidos em cantinas de escolas

Os resultados de uma pesquisa com pais de alunos, professores e funcionários, levaram a Secretaria de Estado da Educação a recomendar aos concessionários das cantinas escolares de São Paulo que incentivem a oferta de produtos naturais e não-industrializados como forma de ampliar o cinturão de segurança à saúde dos estudantes paulistas. O levantamento, realizado em […]

Os resultados de uma pesquisa com pais de alunos, professores e funcionários, levaram a Secretaria de Estado da Educação a recomendar aos concessionários das cantinas escolares de São Paulo que incentivem a oferta de produtos naturais e não-industrializados como forma de ampliar o cinturão de segurança à saúde dos estudantes paulistas.

O levantamento, realizado em 2.825 escolas da rede pública estadual entre os meses de janeiro e fevereiro, chegou a conclusões que vão servir como parâmetro para readequar as atividades das cantinas – da qualidade e manipulação dos produtos oferecidos ao atendimento e limpeza do ambiente de cada uma no espaço escolar. Os principais problemas identificados na pesquisa foram transformados em reivindicações pelos entrevistados:

1 – promoção conjunta da direção da escola, professores e funcionários, de ações educativas e informativas sobre a importância da moderação no consumo de açúcares, gordura e sal.

2 – estimular a substituição de refrigerantes por sucos, bebidas lácteas (achocolatados, vitaminas de frutas etc.) e/ou à base de extratos ou fermentados (soja, leite etc.).

3 – substituição de frituras por salgados e doces assados.

4 – evitar a venda de balas, gomas de mascar e salgadinhos
industrializados em pacotes.

5 – vender barras menores de chocolate (menos de 30g) e com menos
calorias.

A partir destas sugestões e recomendações, a Secretaria de Estado da Educação fez publicar no dia 24 de março de 2005 uma portaria conjunta (Coordenadoria de Ensino da Grande São Paulo, Coordenadoria de Ensino do Interior e Departamento de Suprimentos Escolares), instituindo normas para o funcionamento das cantinas escolares.

A portaria prevê a lista dos produtos recomendados para consumo, o que é uma novidade em relação ao dia-a-dia das cantinas escolares, e define sanções para quem descumprir as recomendações.

Está programada também uma abordagem interdisciplinar das questões nutricionais. Professores de Educação Física e Ciências, principalmente, farão do assunto temas freqüentes de suas aulas, debatendo teor calórico, valor nutricional de cada alimento e de produtos que contribuam para a obesidade, diabetes infantil e outros desvios de educação alimentar.

A PESQUISA

O levantamento aferiu informações interessantes para a gestão das cantinas – por lei elas são administradas diretamente pelas Associações de Pais e Mestres, que também são responsáveis pela licitação em caso de terceirização.

Para 72% dos consultados a qualidade dos produtos comercializados pelas cantinas são satisfatórios. Os outros 28% consideram que os produtos podem melhorar, especialmente com relação à oferta de frituras (que sugerem sejam trocados por assados), e refrigerantes, que deveriam ser substituídos por bebidas não-industrializadas).

Dos entrevistados, 95% consideram que as cantinas têm bom nível de higiene e limpeza (as consideradas insatisfatórias por 5% serão fiscalizadas e terão que se adequar às normas de higiene e limpeza).

Mais de 90% aprovaram os procedimentos de armazenamento e manipulação dos alimentos (as cantinas reprovadas por 10% dos entrevistados também serão fiscalizadas e orientadas pelo órgão competente da Secretaria de Estado da Educação).

O atendimento, considerado satisfatório por 89,5% dos entrevistados, também será alvo de fiscalização e orientação no caso dos 10,5% das cantinas que não foram aprovadas.
Quanto ao espaço físico, considerado o quesito mais crítico, 30% das cantinas deverão ter suas instalações adequadas de acordo com padrões definidos pelo Departamento de Suprimentos Escolares.

CANTINAS

Das 2.825 escolas que participaram da pesquisa, 40,67% não têm cantina, porque os pais e professores das Associações de Pais e Mestres consideraram que não há necessidade delas, em razão da adequação da merenda escolar. Em outras 841 escolas, a cantina é administrada diretamente pela Associação de Pais e Mestres e em 835 escolas o atendimento da cantina é terceirizado.

O Departamento de Suprimentos Escolares da Secretaria de Estado da Educação promove,com base nas discussões realizadas pelo Conselho de Segurança Alimentar, estudos de adequação da merenda às necessidades nutricionais dos alunos da rede pública.