segunda-feira, 21/05/2018
Boas Práticas

Oficina de Customização permitiu que os estudantes reaproveitassem roupas doadas

O material, geralmente, é doado pelos pais, pelos professores e pela comunidade

Com o objetivo de possibilitar aos alunos a oportunidade de enriquecer seu próprio currículo; ampliar, diversificar, aprofundar conceitos, procedimentos ou temáticas de uma disciplina ou área de conhecimento, a EE Professora Dulce Ferreira Boarin trabalhou com seus estudantes a eletiva de Customização.

“Os adolescentes são consumistas. E hoje não é a televisão que tanto afeta a eles, o que eu percebo muito são as coisas da internet. Então essa ideia da customização entrou justamente nesse espaço que eles queriam, que era montar um projeto que eles poderiam manusear, poderiam construir”, explica Elisabete Cristina Zacarias, professora de português.

“Eu quis participar porque achei interessante reaproveitar as roupas, os cadernos, para deixar com a minha cara”, diz a aluna Kaylane Cristina da Silva Ferreira. A estudante achou o projeto legal pois conseguiu aproveitar muitas roupas que tinha em casa a não usava. “Ás vezes, até algumas da minha mãe, que serviam em mim e eu reaproveitei, do meu irmão, tudo”, acrescenta.

A iniciativa visa, também, desenvolver estudos de acordo com os focos de interesses relacionados aos seus Projetos de Vida e/ou da comunidade a que pertencem, além de favorecer a aquisição de competências específicas para a continuidade dos estudos e para a inserção e permanência no mundo do trabalho.

“Tenho dois projetos de vida, que são administração e design de moda. E eu gosto de customizar as roupas”, afirma a estudante Sonia Eli Garcia Herrera. Kevin Gabriel, que também estuda na unidade, ainda não tem certeza de que carreira seguir, mas concorda que a eletiva colaborou com algumas tarefas em casa. “Eu tinha ajudado meu pai a customizar, porque ele costura. Então, eu já sabia um pouquinho, mas eu queria aprender mais com a professora”, relata.

A eletiva trabalha com a criação e construção de vestuário a partir da reutilização de diversos materiais, tais como o papel, material tão comum no cotidiano do aluno. “E se o aluno quiser customizar uma roupa que não vai ficar para ele próprio, existe a opção de vender no nosso bazar. E eles tiveram que escolher o nome e a logo do bazar. Depois que ele faz a peça, escolhe se vai vender e ficar com o dinheiro”, esclarece a professora Elisabete.

Com a customização é possível reconhecer e utilizar a Matemática em sua prática, bem como a Arte e suas linguagens convergentes, envolvidas em todo o processo de criação. E, ainda, trabalha a Língua Portuguesa. Em matemática, “nós trabalhamos com porcentagem, escala, com razão, proporção e regra de três”, deixa claro o professor da disciplina, Vasni dos Santos Pinto. E, segundo a aluna Sonia Herrera, as aulas têm surtido efeito. “Eu aprendi o cálculo da fração, multiplicação… para fazer a barra da calça, por exemplo, precisa de soma, para calcular direito”, enfatiza.

“A Língua Portuguesa já começou a entrar na parte da oralidade, a leitura de como se usa um estêncil, como se usa uma tinta, na leitura dos rótulos, das instruções”, explica Elisabete Cristina Zacarias. Mas, não é só nas questões pedagógicas que os avanços são notáveis. “O projeto me ajudou a ser menos consumista porque é uma roupa simples, sem marca, mas que eu posso deixar com a minha cara, do jeito que eu gosto”, percebe Kaylane Cristina.

Além de aumentarem a consciência sobre o consumo, o convívio entre os estudantes também foi melhorado. Segundo a professora de Língua Portuguesa, Elisabete Zacarias, “eles passaram a se respeitar mais, a ter um pouco mais de paciência um com o outro, a escutar o outro”, finaliza.