quarta-feira, 28/02/2018
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A Escola Que Queremos

Professor se torna youtuber e quebra a barreira entre os alunos e a Matemática

No canal Pô, Bichô Matemática!, Pedro Real apresenta o conteúdo que será debatido em sala de aula

Ele não nasceu nos anos 1990. Ele não aprendeu a manusear um tablet, ou celular com apenas um ano e meio de idade. Ele, definitivamente, não teve conta em alguma rede social antes dos 15 anos. Mesmo assim, o professor Pedro Real Neto se tornou um youtuber e mantém o canal Pô, Bichô! – Matemática bombando entre seus alunos e internautas de todo canto do Brasil, que buscam conhecimento na disciplina.

Como o nome do canal já diz, é um espaço reservado para o ensino e trocas de informações a respeito da disciplina que Pedro Real leciona, a Matemática. “O canal teve iniciou quando eu percebi a necessidade dos alunos em procurar coisas na internet. Eles são muito latentes em relação à internet, essa nova tecnologia. Então, esse é mais um caminho deles encontrarem aprendizagem”, explica o educador.

No começo, tudo não passou de uma experiência. “Quando eu lancei o primeiro vídeo, num domingo, vi que muitas pessoas acessaram após a divulgação na minha página do Facebook. Na segunda-feira, eu perguntei sobre o conteúdo e eles sabiam. Isso me causou um impacto! Até porque, se você dá uma lição de casa, tem muita restrição deles fazerem, mas o vídeo eles assistiram”, relata Pedro Real.

Como todo projeto, no início o professor encontrou dificuldades em relação ao equipamento técnico, pois, além da enorme força de vontade, tinha apenas um celular e um tripé para fazer as gravações. Mas, o primeiro post serviu como um excelente termômetro de que a perseverança o levaria a colher belos frutos.

Foi então que decidiu aliar o canal Pô, Bichô! às suas tarefas diárias. Ao sair do método convencional de estudo, quando apresenta o conteúdo aos alunos e depois debate o aprendizado, Pedro Real começou a lecionar a partir do chamado Flipped Classroom. Trata-se de uma metodologia invertida de estudo, assim o professor dá os tópicos que irão ser abordados na aula seguinte e os alunos chegam prontos para que a aula aconteça de maneira mais fluida.

O aluno Matheus Aurélio Oliveira de Carvalho, da E.E. Santos Amaro da Cruz, lembra que “quando ele [o professor] chegou com esse novo método de estudo eu pensei ‘esse professor deve estar viajando’. Aí, depois que a gente viu que dava certo a atividade eu me interessei mais sobre o novo método de estudo”, afirma.

Colega de turma de Matheus, a estudante Lais Caviquioli Gonçalves já conheceu o Flipped Classroom na antiga escola que estudava, antes de se transferir para a Santos Amaro da Cruz. “Eu vim para cá na 1ª série do Ensino Médio e meu antigo professor de Matemática não tinha um canal no Youtube, mas indicava alguns sites para a gente entrar que ajudaria nas lições de casa e depois ele tiraria as nossas dúvidas na sala. Mas, quando o professor Pedro disse que o canal era dele ficou bem mais interessante, pois a gente tem contato com ele tanto na sala quanto na internet. Então, dá uma ligação a mais entre o professor e o aluno”, diz a estudante.

Com o canal no Youtube, Pedro pode disponibilizar conteúdos que serão futuramente trabalhados em sala de aula, os estudantes assistem o canal, entendem a matéria e a matemática, que antes era algo difícil para a grande maioria, começa a ser mais facilmente compreendida. “E, durante todo o ano letivo, o ganho é enorme. Quando o aluno vem com o conteúdo pré-estudado sobra mais tempo. Dá pra gente explorar mais assuntos”, conclui o matemático.

Ao que parece, as crianças e adolescentes não ficam na internet pesquisando apenas assuntos da moda, como os tão falados desafios. O professor Pedro Real, com apenas um ano e meio à frente de seu canal, percebeu que uma grande quantidade de alunos faz pesquisas referentes à diversas áreas do conhecimento. Em seus vídeos, inclusive, ele indica canais de professores que se dedicam a lecionar outras disciplinas pela internet.

E, após virar uma celebridade da internet, Pedro Real tomou consciência de que o uso das novas tecnologias, se bem aplicados, são excelentes aliados do professorado. “O uso da tecnologia ajuda bastante. Os estudantes ficam conectados desde que acordam até a hora que vão dormir”, acrescenta.

A diretora da E.E. Santos Amaro da Cruz, Sonia Gomes Cruz, concorda com Pedro Real e enfatiza que na unidade “usamos também o Currículo+, temos um projeto chamado Codeclub, com jogos para que os alunos aprendam Matemática, e ainda contamos com o professor Pedro, que utiliza a internet. Então, disponibilizar o conteúdo programático das apostilas sem o uso da tecnologia desperta menos interesse dos alunos”, completa.

Sonia Gomes Cruz entende a importância de usar a tecnologia em ambiente escolar. Segundo ela, “você não consegue trabalhar em lugar algum se não houver a tecnologia. Se a escola não estiver inserida dentro da tecnologia, há o perigo de nós formarmos alunos analfabetos digitais. Para o futuro dessas crianças é algo extremamente perigoso. E a escola é o primeiro lugar em que se deveria fazer essa mudança. Eu sei que não é fácil, mas é algo que tem que ser revisto. E a direção da escola, juntamente com os próprios professores, têm que organizar essa situação aos poucos”, esclarece a diretora.

Mas, você deve estar se perguntando de onde saiu o nome do canal. Pedro Real explica que a expressão ‘pô, bichô’ “veio na época que eu estudava música. E meu professor falava sempre essa frase. Quando um aluno não levava a postila ele repetia a fala e apontava à porta, para que o aluno saísse. Um certo dia ele acabou não levando a apostila e eu disse “Po, Bicho!”, e apontei para a porta. O professor disse que o que era certo era certo e saiu. Fiquei desesperado, mas foi assim. E eu acabei ficando com esse jargão. Uso nas salas de aula, mas não coloco os alunos pra fora”, diz o youtuber matemático aos risos.

Atualmente, o projeto Pô, Bichô! está presente em outras redes, como o Instagram, na conta @pobicho2017oficial, e o site oficial.