terça-feira, 07/07/2020
Boas Práticas

Professora da rede estadual mantém interesse pela leitura e vínculo com alunos com contação de história

Mariá se caracteriza e monta cenários para atrair estudantes no projeto chamado ‘Contos Brincantes’

Uma das ferramentas fundamentais para o processo de aprendizagem é a contação de histórias. E é por meio delas que a professora Maria Aparecida Dias Silva, da escola estadual Samuel Morse, na zona sul da capital, tem atraído muitos alunos ao ambiente virtual por meio do projeto “Contos Brincantes.”

Mariá, como é conhecida, leciona para as séries iniciais do ensino fundamental, e criou no início da quarentena uma forma de incentivar o hábito da leitura e manter o vínculo com os alunos. Ela se caracteriza, monta cenários e conta histórias que são transmitidas em sua conta no Instagram (@contosbrincantes_) e canal no Youtube (Mariá Contos Brincantes).

A professora também criou um grupo no Whatsapp com os alunos para avisá-los quando ocorrem as atividades para que eles possam acompanhar em tempo real. Alguns participantes se animam tanto que enviam vídeos deles lendo histórias para ela.

A docente explica que as histórias mexem com as pessoas porque falam de emoções e chegam de uma forma diferente em cada um. O despertar da curiosidade das crianças pelos livros começa na infância por meio da leitura e, principalmente, sobre o modo como se lê para os pequenos.
“Histórias trazem memórias afetivas, que vão para além da infância individual. Elas vêm de uma ancestralidade coletiva e servem como um chamariz incrível para a leitura. É um jeito de enamorar as crianças e seduzi-las para o meio dos livros de uma forma mágica.”

Mariá acredita que neste período de isolamento social a contação de histórias ajuda as crianças a desenvolverem a imaginação e até esquecer, ainda que por instantes, a situação em si.

“Ainda estamos nos adequando à nova realidade, mas percebo muito esforço por parte de todos. Sempre tive uma linha direta com os pais dos meus alunos. Acho que esse tem sido um ponto positivo nesse momento difícil. Entendermos que ninguém educa sozinho. É lindo ver pais, professores e Estado se empenhando pelas crianças.”

Uma das histórias contadas por Mariá aos alunos foi “O peixe e a passarinha”, de Blandina Franco e José Carlos Lollo, em que cada um precisa ficar no seu ‘ninho’ para poder se manter unido. “Dediquei essa leitura a todas as crianças que se encontram cada uma em seu lar vivenciando sua saudade. “Em breve estaremos ‘passarinhando’ por aí de encontro aos nossos peixinhos”, diz.

Mariá ressalta que a educação tem que ter um olhar humanizado e a arte tem esse papel também. “A ideia é fazer com que os alunos aprendam e acreditem em si mesmos, porque muitas vezes estão em lares desestruturados e não sabem o valor que têm. A ideia é ensiná-los a buscar as coisas, nada vem de mão beijada, e um dos meios é o livro, a educação.”