segunda-feira, 03/08/2020
Pais e Alunos

Professora da Unifesp fala sobre como lidar com perdas ocorridas na pandemia

Ana Lucia Horta participou de videoconferência no Centro de Mídias SP

Nesta segunda-feira (3) a professora doutora Ana Lucia Horta do departamento de saúde coletiva da escola de enfermagem da Unifesp conversou com servidores da rede estadual pelo Centro de Mídias SP (CMSP) sobre como lidar com as perdas e o luto durante a pandemia do coronavírus (Covid-19). O secretário executivo da educação Haroldo Corrêa Rocha mediou o bate-papo.

O secretário iniciou a transmissão destacando ações de acolhimento realizadas pelo programa Conviva-SP, que promoveu lives e produziu material de apoio e vídeos com informações sobre saúde mental para os servidores durante a pandemia, “Em tempos como esse muitas coisas que nós estávamos acostumados a fazer perdem o sentido e muitas coisas que não estávamos acostumados, passamos a fazer”, afirmou.

Ana Lucia Horta, por sua vez, destacou os tipos e os estágios do luto e destacou que as causas não só são relacionadas a morte, mas a tudo que perdermos. “Nessa pandemia a gente está vivendo situações de perda, como não poder encontrar e abraçar as pessoas. Estamos perdendo a rotina de poder conviver com o outro. Há também questões financeiras, de emprego, de posição social e a perda da educação presencial”.

Para a professora, as pessoas que sentiram essas perdas precisam ser cuidadas por meio de espaços de reflexão e de comunicação. Ela também elogiou os encontros que já vem sendo realizados no CMSP pela equipe do Conviva como forma de apoio “Esses encontros e espaços que vocês estão oferecendo ajudam a pessoa a não se sentir só no meio de tanta incerteza. É complicado não poder refletir para achar novas estratégias e novos caminhos para lidar com isso”.

De acordo com o secretário, a pandemia deixou as pessoas em situação de maior fragilidade, porque nos deparamos com a verdade de que não podemos fazer tudo. A doutora complementou que também não podemos ter o controle total de nada e que isso pode ser um ensinamento. “O que está acontecendo pode nos ajudar a melhorar as nossas relações e a forma como eu me cuido e como posso cuidar do outro. Isso também nos ajuda a viver de uma forma mais intensa, refletindo o que é viver melhor e onde devemos investir, quais não as nossas escolhas”, avaliou.