sexta-feira, 27/01/2012
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Projeto em São Carlos aproxima crianças de juízes e muda visão de alunos sobre a justiça

Trabalhos feitos por estudantes que participaram da ação estão reunidos no livro “A Escola e a Justiça: Trilhando Parcerias” “Os alunos tinham a impressão de que a justiça era algo distante deles”. A frase da professora Regina Helena Corsi Mangieri, da escola estadual João Jorge Marmorato, de São Carlos, revela o pensamento de estudantes de […]

Trabalhos feitos por estudantes que participaram da ação estão reunidos no livro “A Escola e a Justiça: Trilhando Parcerias”

“Os alunos tinham a impressão de que a justiça era algo distante deles”. A frase da professora Regina Helena Corsi Mangieri, da escola estadual João Jorge Marmorato, de São Carlos, revela o pensamento de estudantes de 5º e 6º ano antes da chegada do projeto que colocou os alunos frente a frente com juízes, promotores, defensores e policiais da região. A interação entre as cerca de três mil crianças que participaram da ação e os magistrados mudou a percepção dos alunos em relação ao assunto e ainda despertou neles o interesse pela prática da cidadania.

Os frutos do projeto, que foi realizado em 16 escolas da região de São Carlos durante o ano letivo de 2011, foram parar no livro “A Escola e a Justiça: Trilhando Parcerias”, lançado no final do ano passado. Nas páginas da obra, estão os desenhos e textos produzidos pelos alunos.

A dirigente regional de ensino de São Carlos, Débora Gonzaliez Costa Blanco, explica que, antes da interação com os juízes, uma cartilha que abordava questões como cidadania e história, desenvolvida pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), era apresentada às crianças em sala de aula. No dia da visita, a tarefa dos pequenos era levar dúvidas que tivessem sobre leis, direitos, deveres e outros temas relacionados para discutir com os magistrados. Nessas reuniões os estudantes levantavam questões sobre leis de trânsito, relações familiares, drogas e violência, entre outras.

“A linguagem que os juízes usaram era fácil, eles eram carismáticos e, por isso, as crianças se aproximaram e não tiveram vergonha de perguntar”, conta a diretora Regina. “Percebemos que os alunos levaram a discussão para casa, pois muitas perguntas que fizeram eram dúvidas de suas famílias”, afirma Ângela Maria Bueno Rosa Bruno, diretora da E.E. Antonio Adolfo Lobbe. “As dúvidas têm sempre relação com a realidade da criança, por isso os temas familiares são os mais recorrentes”, comenta.

Projeto terá continuidade

Para compor o livro “A Escola e a Justiça” foram selecionados um texto e um desenho produzidos em cada uma das escolas. A obra teve 750 cópias distribuídas entre escolas da região e entidades participantes.

A redação de Ingridy Lopes Moreschi, 10 anos, aluna do 5º ano da E.E Antônio Adolfo Lobbe, foi um dos trabalhos escolhidos para integrar o livro. Com o título “A importância da Justiça para mim e para a comunidade”, o texto de Ingridy fala sobre respeito às leis. “Eu achei muito legal este projeto, porque a gente aprende um pouco mais, além das aulas de matemática, português, história”, conta. A estudante disse que “achou os juízes mais legais do que imaginava” e, embora tenha “muito tempo para decidir”, já pensa em ser advogada.

O sucesso da iniciativa deve continuar em 2012, com o retorno das atividades, que está marcado para fevereiro. Neste ano, a ideia da Diretoria de Ensino é montar um almanaque com caça-palavras, quadrinhos e passatempos produzidos pelos alunos. “O projeto promove a cidadania entre as crianças. Eles aprenderam que a justiça não é algo distante, mas que está no nosso cotidiano”, conta a dirigente Débora Gonzaliez Costa Blanco. Para o juiz André Luiz de Macedo, os frutos da iniciativa vão além do ambiente escolar. “O grande foco deste programa é trabalhar os direitos e deveres. A criança vai multiplicando a ideia de responsabilidade social e a Justiça se beneficia disso”, afirma o magistrado, que atuou como coordenador do projeto ao lado da Diretoria Regional de Ensino de São Carlos.