quinta-feira, 20/05/2010
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Seminário marca os dez anos da educação indígena na Rede Estadual de Ensino

A Secretaria de Estado da Educação promove nesta quinta-feira evento que debate o trabalho desenvolvido em prol dos índios há uma década; O Estado mantém 32 escolas que atendem exclusivamente 1.358 crianças e jovens indígenas Para celebrar os dez anos da educação escolar indígena implementada na rede estadual de ensino, a Secretaria de Estado da […]

A Secretaria de Estado da Educação promove nesta quinta-feira evento que debate o trabalho desenvolvido em prol dos índios há uma década;

O Estado mantém 32 escolas que atendem exclusivamente 1.358 crianças e jovens indígenas

Para celebrar os dez anos da educação escolar indígena implementada na rede estadual de ensino, a Secretaria de Estado da Educação promove nesta quinta-feira (20/05) o seminário “Educação Escolar Indígena – 10 anos de trabalho com a diversidade cultural e étnica”, no Teatro Fernando de Azevedo, na sede da secretaria.

Participam do evento a professora Valéria Souza, coordenadora da Cenp (Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas), a professora Deusdith Bueno Velloso, coordenadora do Núcleo de Educação Indígena, o secretário-adjunto da Justiça, Gustavo Gonçalves Ungaro, o antropólogo e pesquisador da USP Luís Donisete Grupioni, além de professores indígenas de diversas etnias.

“O projeto da secretaria atende às constituições Federal e Estadual, além da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Fazemos questão de investir cada vez mais na educação destes alunos para fortalecer a cultura desses povos. Uma educação intercultural e bilíngue caracterizam uma escola que respeita as diferenças e fortalece a identidade étnica e cultural dessas comunidades. Assim, estamos colaborando para a escrita de novas páginas na história do Brasil”, afirma o secretário de Estado da Educação, Paulo Renato Souza.

Para Luís Donisete Grupioni, antropólogo, pesquisador da USP e autor de livros como “Formação de professores indígenas: repensando trajetórias” (editora MEC, 2006), os principais avanços em relação à educação indígena nestes dez anos foram o reconhecimento legal da existência de escolas indígenas em São Paulo e o início do processo de formação de professores das próprias comunidades para lecionar nas unidades. Segundo o especialista, é preciso ainda aprimorar a educação indígena. “Agora, o principal desafio é a necessidade de constituir uma educação indígena diferenciada, com elementos culturais e históricos dos índios, com materiais desenvolvidos na língua deles e com conteúdo que atenda às necessidades e aos projetos futuros da comunidade indígena”, aponta o antropólogo.

Durante o seminário, Grupioni ministrará uma palestra com o tema “Diversidade cultural e seus desdobramentos”, em que abordará a diversidade sociocultural brasileira de 1.500 até os dias de hoje. “Um dos objetivos é mostrar que a imagem que as pessoas têm de que os índios estão acabando não é verdadeira. Temos diversas comunidades indígenas no Brasil. A Constituição de 1988 reconheceu o direito de os índios permanecerem índios e a partir daí uma série de políticas públicas foram implementadas para preservar a cultura indígena”, diz o pesquisador.

Para Maria do Carmo Santos Domite, professora de matemática da Faculdade de Educação da USP e coordenadora do curso superior intercultural de formação de professores indígenas no Estado de São Paulo (que formou 80 docentes de 30 aldeias de 2005 a 2009), o fato de os índios terem assumido as escolas contribuiu para o fortalecimento da cultura e da auto-estima das comunidades indígenas. “Os professores indígenas conhecem os costumes e as expectativas de seus alunos e sabem aliar o conteúdo escolar com as artes, a dança, a fala, a cerâmica e os hábitos de seu povo. A escola pode ser um importante mediador da revitalização da cultura indígena”, comenta Maria do Carmo. “E os professores estão aprendendo muito com a experiência em sala de aula e refletindo sobre a prática escolar”, complementa a educadora, que mediará a segunda mesa de debates do seminário.

Adriano César Rodrigues Campos, vice-diretor e coordenador da Escola Estadual Indígena Índia Maria Rosa, localizada na cidade de Braúna, afirma que as crianças da aldeia Icatu, da etnia kaingang, ganharam mais motivação para estudar desde que os índios assumiram a tarefa de ensinar, há cerca de sete anos. “Hoje, as línguas kaingang e terena são utilizadas em sala de aula e nossos costumes são mais respeitados. Nos sentimos valorizados”, conta.

Educação indígena

Para atender aos professores e estudantes indígenas com qualidade, a Secretaria de Estado da Educação mantém um núcleo voltado especificamente à educação indígena. Desde 2000, o número de escolas indígenas praticamente dobrou. Há uma década, eram cerca de 17 unidades e 300 alunos. Atualmente, já são 32 escolas indígenas, que atendem 1.358 alunos das cinco etnias presentes no Estado _guarani, tupi-guarani, krenak, terena e kaingang.

As escolas indígenas são interculturais e bilíngues e seus conteúdos são organizados em três áreas de conhecimento: linguagens e códigos, ciências da natureza e matemática e suas tecnologias e ciências humanas. As aulas são ministradas por professores indígenas que foram graduados em Curso Especial de Formação Intercultural em nível médio e superior. Os materiais didáticos utilizados nessas escolas são próprios para educação indígena e foram produzidos durante os cursos de formação. As construções dos prédios escolares indígenas estão organizadas para atender à diversidade do povo local.