terça-feira, 27/08/2013
Pais e Alunos

Vestibular: profissionais falam de três carreiras pouco conhecidas

Engenharia de pesca, meteorologia e gestão ambiental estão entre cursos menos concorridos

Cerca de 405 mil alunos de escolas estaduais cursam o 3º ano do Ensino médio e estão em fase de preparação para o vestibular. Nesta época do ano, muitos deles se deparam com a dúvida sobre qual profissão seguir. Para Luciene de Cássia Santana, da equipe do Centro de Projetos Especiais da Secretaria da Educação, uma boa alternativa para conhecer mais sobre as carreiras pretendidas é participar de feiras e eventos que oferecem informações sobre as profissões, além de realizar testes vocacionais e participar de palestras com professores e profissionais da área em que deseja atuar.

Outra orientação é que os alunos não deixem para o último ano do Ensino Médio a tarefa de começar a se interar sobre qual carreira seguir. “O ideal é que no início do Ensino Médio o aluno já comece a refletir sobre a profissão, assim não chega indeciso ao último ano”, explica Luciene. Visitar os locais que sejam relacionados com as futuras carreiras também é uma opção interessante para os alunos. “Ao visitar o campo de trabalho é possível assimilar melhor as informações sobre a profissão”, finaliza.

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Neste período de vestibular, os holofotes sempre se voltam para as carreiras mais buscadas. Longe do topo da lista de cursos mais concorridos, estão três carreiras promissoras, onde os profissionais podem atuar em diversos setores e se consolidar como profissional.

Engenharia de Pesca

O curso de Engenharia de Pesca teve 1,8 candidato por vaga no vestibular 2013 da Unesp. A professora doutora Juliana Domingues Lima, coordenadora do curso no campus de Registro, destaca as funções do profissional. “O Engenheiro de Pesca é um profissional capaz de supervisionar, planejar e coordenar atividades integradas visando o aproveitamento dos recursos naturais, a criação e exploração sustentável de recursos pesqueiros marítimos, fluviais e lacustres e sua industrialização”, explica. Este profissional pode atuar no setor público, com pesquisas, ou na área da educação como educador em cursos de pós-graduação ou graduação, além de outras oportunidades oferecidas pela iniciativa privada.

No mercado há 26 anos, Paula Maria Gênova de Castro Campanha é pesquisadora científica do Instituto de Pesca, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo e lembra que escolheu a área pelo interesse em tudo que envolve o ambiente aquático.

Paula acredita que hoje em dia seja mais fácil desenvolver as funções da carreira. “Por conta do caráter multidisciplinar da profissão e com as necessidades ambientais da sociedade, o profissional tem mais oportunidades. É preciso ter um perfil multidisciplinar”, finaliza.

Gestão Ambiental

O curso de Gestão Ambiental na Universidade São Paulo Leste (USP Leste), teve 3,94 candidatos por vaga no vestibular 2013. Este profissional atua com projetos que possam minimizar, prevenir e reverter problemas que ocorrem após a ocupação do meio ambiente.

Luiz Fernando Rego é coordenador de programas ambientais na DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A. Formado em publicidade, Luiz mudou de área e decidiu cursar a pós-graduação em gestão ambiental. Começou a estagiar na DERSA, onde já trabalha há oito anos. Para ele, o melhor da profissão é poder conhecer muitas áreas por meio dos profissionais. “Lidar com uma gama de profissionais, aprender com eles e acompanhar todo o processo de uma ação é o que mais me satisfaz. Aqui na DERSA atuamos desde o licenciamento, planejamento de um projeto, suas reuniões, implementações, ações e por fim a realização”, explica.

O mercado de trabalho é considerado amplo. De acordo com o coordenador do curso na USP Leste, professor Homero Fonseca Filho, existe oportunidade de vagas em setores públicos e privados. “A minha percepção é que já existe boa demanda de vagas para os profissionais de gestão ambiental e isso se estenderá ao futuro, devido à causa ambiental do planeta”, conta o professor.

Meteorologia

Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), a procura pelo curso de Meteorologia no vestibular 2013 foi de 1,3 candidato por vaga. Este profissional irá atender às necessidades de meteorologia e pesquisas, atuar nas áreas de previsão, monitoramento e pesquisa científica do clima, em especial na adaptação às mudanças climáticas e nas áreas correlatas, como a de ciência do meio ambiente.

Ricardo Hallak, 53 anos, cursou meteorologia e, hoje, é professor doutor no Departamento de Ciências Atmosféricas da USP. Há 20 anos na área, completamente apaixonado pelo que faz, destaca o que mais gosta na profissão. “Como profissional da área de meteorologia, me agrada ver como a sociedade em geral reconhece imediatamente o valor de um profissional qualificado numa área como esta, que conta com pouca divulgação”, destaca.

O mercado de trabalho para essa carreira, segundo o professor doutor é promissor, principalmente fora do país. “Muitos de nós vão trabalhar no exterior. No Brasil sobram ofertas. Existem empresas privadas de meteorologia em São Paulo que, periodicamente, conforme se expandem, contratam formandos da USP na porta da universidade” conta Hallak.