quarta-feira, 09/05/2018
EJA - Educação de Jovens e Adultos

Conheça a cultura nipônica ao visitar o bairro da Liberdade em São Paulo

Desde 1912, a colônia de japoneses não parou de crescer e é considerada a maior fora do Japão

Um dos maiores pontos turísticos da cidade São Paulo, o bairro da Liberdade é também a maior comunidade japonesa fora do Japão. Além dos japoneses, as colônias coreana e chinesa também emprestaram suas características para que aquela região seja, atualmente, considerada um pedaço da Ásia no Brasil. Lá é possível conhecer a gastronomia asiática, festas e costumes dos povos que estão na lista dos mais antigos do mundo. Por isso, reserve um final de semana e vá com sua família conhecer o local.

Há muitos anos, a Liberdade era um bairro de negros. Abrigou organização de ex-escravos e descendentes como a Frente Negra Brasileira e, mais tarde, o Paulistano da Glória, um sindicato de domésticas que virou escola de samba e era liderado pelo renomado sambista Geraldo Filme. A presença japonesa começou por volta de 1912, quando imigrantes japoneses encontraram abrigo nas casas da rua Conde de Sarzedas. Acontece que as casas desse logradouro assentavam porões, o que barateava o aluguel cobrado por um quarto.

Não demorou muito para que os japoneses começassem a abrir portas de comércio. Era uma hospedaria aqui, um empório ali, uma fábrica de tofu, o famoso queijo de soja, ou de manju, um doce japonês, além de agências de empregos. Com toda essa movimentação, a Conde de Sarzedas logo ganhou um apelido: a rua dos japoneses.

Em apenas 20 anos, de aproximadamente 300 japoneses, a colônia passou a ser formada por 2 mil orientais. Eles chegavam direto do Japão, ou se deslocavam do interior de São Paulo, após encerrarem contratos de trabalhos nas lavouras. A Liberdade virou sinônimo de oportunidades. São Paulo crescia na mesma velocidade daquele bairro, e a localização central facilitava a vida dos imigrantes. Assim, uma rua, apenas, já não era mais suficiente para abrigá-los, e os porões já não eram mais as únicas opções para construir um lar. Cerca de 600 pessoas continuaram na Conde de Sarzedas, o restante se dividiu entre a Irmã Simpliciana, a Tabatinguera, a Conde do Pinhal, a Conselheiro Furtado e outras mais.

As águas rolaram e com o tempo o bairro da Liberdade foi se tornando cada vez mais oriental. Na década de 1970, deixou de ser um reduto exclusivo dos japoneses. Muitos deixaram de residir na região, mantendo apenas seus estabelecimentos comerciais. Com isso, a Liberdade passou a ser procurada também por chineses e coreanos. Além de lojas, restaurantes e bares orientais, o bairro passou a oferecer outros atrativos. A Praça da Liberdade é utilizada como palco para manifestações culturais e do folclore japonês. O bairro recebeu decoração no estilo oriental, com a instalação de lanternas suzurantõ.

Nas décadas de 1980 e 1990, pequenas mudanças ocorreram no bairro. As casas noturnas foram gradativamente substituídas pelos famosos karaokês, mania entre a clientela. As ruas Galvão Bueno e São Joaquim e a Praça da Liberdade são os pontos que melhor transmitem a presença japonesa. Hoje, o bairro não é apenas frequentado por japoneses e nipo-brasileiros, mas por todos os tipos de pessoas, que são atraídas pelo comércio de roupas, alimentos, utensílios, festas típicas, entre outros.

A forma mais fácil para chegar no bairro é descer na estação Liberdade, da Linha 1 – Azul do Metrô, em São Paulo. Depois, é só se deixar influenciar para conhecer o maior número de atrações possíveis.