quarta-feira, 18/04/2012
Educação Indígena

Curso universitário já é realidade para comunidade indígena

É cada vez maior o número de alunos que têm chegado à universidade. Muitos deles querem ser professores e levar o conhecimento para a própria aldeia Todos os dias pela manhã a enfermeira Regiane Rodrigues tem um compromisso do qual ela não abre mão: visitar quatro aldeias indígenas para prestar de perto cuidados à saúde da […]

É cada vez maior o número de alunos que têm chegado à universidade. Muitos deles querem ser professores e levar o conhecimento para a própria aldeia

Todos os dias pela manhã a enfermeira Regiane Rodrigues tem um compromisso do qual ela não abre mão: visitar quatro aldeias indígenas para prestar de perto cuidados à saúde da população local. Essa seria mais uma história como a de muitos brasileiros, não fosse o fato de Regiane ser a primeira índia da Aldeia Arariba, em Avaí, a se formar em nível superior e trabalhar na própria comunidade.

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“Desde a infância eu falava que queria ser enfermeira para cuidar de todos aqui. Eu via a necessidade da população. Por isso, acompanhava o trabalho das enfermeiras que vinham na aldeia e ajudavam convocando as pessoas. Acabei me inspirando nelas”, relembra emocionada.

Para alcançar seu objetivo, Regiane se dedicou muito e estudou por quatro anos na Escola Estadual Indígena Kopenoti, antes de ingressar na faculdade. Ela conta o quanto valeu a pena todas as horas de estudo. “Muitos jovens me têm como exemplo. Eles falam que é um orgulho para comunidade. Fico até emocionada, por isso estimulo meus filhos a estudarem sempre”.

A formatura da enfermeira foi um marco para aldeia. Depois disso, outros moradores começaram a pensar em ingressar no curso superior e hoje cerca de 15 moradores da aldeia estão matriculados em faculdades da região. A filha mais velha de Regiane, por exemplo, decidiu seguir os passos da mãe: cursa o primeiro ano de enfermagem.

Mas a área de saúde não é a única que atrai os jovens indígenas. Alguns deles sonham com o magistério e se habilitarem para dar aulas na própria aldeia. Na cultura indígena os alunos respeitam os professores como fazem com seus próprios pais. Por conta disso, é comum a admiração e inspiração que nutrem pelos docentes. O jovem Karai Miri, da aldeia Peguao-ty, localizada na cidade de Sete Barras, interior do estado, quer ser um deles e já começou a dar os primeiros passos em direção ao seu sonho.

“Estudei na E.E.I. Peguao-ty e quando vi os professores se formando me esforcei e me dediquei para iniciar o trabalho como professor também. Por enquanto, acompanho dois professores em sala de aula, mas em breve estarei preparado”, acredita o jovem.