• Siga-nos em nossas redes sociais:
quarta-feira, 04/02/2026
Destaque

Educação amplia recomposição da aprendizagem em parceria com Harvard

Projeto Voar amplia ações voltadas aos anos finais do Ensino Fundamental para enfrentar defasagens em leitura, escrita e matemática

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) amplia, a partir deste ano, o número de iniciativas voltadas à recomposição das aprendizagens dos anos finais do Ensino Fundamental. Entre as ações, está o Projeto Voar. O piloto passa a ser implementado em 147 escolas da rede estadual com foco em enfrentar defasagens em leitura, escrita e matemática, especialmente entre estudantes que chegam ao 6º ano sem a alfabetização consolidada.

O Voar integra o portfólio de políticas da pasta voltadas à garantia do direito à aprendizagem, ao lado de iniciativas como o Professor Tutor do Ensino Fundamental, as aulas de orientação de estudos, a recuperação semestral e o programa Aluno Monitor do BEEM (Bolsa Estágio Ensino Médio).

Para apoiar a implementação dessas ações, a Seduc-SP contará com acompanhamento técnico da Universidade de Harvard, por meio do Laboratório de Educação para a América Latina (ELLA). A parceria tem como foco políticas educacionais baseadas em evidências para o ensino de Língua Portuguesa e Matemática, além do desenvolvimento socioemocional dos estudantes.

“Esta é mais uma das várias iniciativas para impedir que alunos acumulem muitos anos de defasagem, um problema que infelizmente ainda é muito recorrente. Neste ano estamos expandindo o Professor Tutor Anos Finais, que teve quase dois anos de pilotos bem-sucedidos. A ideia é testar o Voar com o mesmo rigor”, afirma o subsecretário pedagógico da Educação, Daniel Barros.

‘A aula certa, para o aluno certo, no momento certo’

Voltado a estudantes do 6º ao 9º ano com médias e altas defasagens em Língua Portuguesa e Matemática, o Projeto Voar se baseia no ensino por nível de proficiência, com uso de avaliações diagnósticas e formativas, nivelamento e instrução diferenciada. Os alunos são organizados em agrupamentos temporários, permitindo que o ensino parta do que cada estudante efetivamente sabe, com atenção também ao desenvolvimento socioemocional.

Segundo o diretor da Escola Estadual Professor Daniel Verano Pontes, Gilson Crispim, a proposta garante “a aula certa, para o aluno certo, no momento certo”, o que favorece a retomada da trajetória escolar de estudantes que chegam aos anos finais sem a alfabetização consolidada. A expansão prevista para 2026, em complemento ao projeto Professor Tutor Anos Finais, busca consolidar uma resposta sistêmica da rede estadual.

Parceria com Harvard

A cooperação com a Universidade de Harvard é coordenada por um Comitê de Gestão Conjunta, com apoio da organização Parceiros pela Educação. A equipe do ELLA atua no acompanhamento do Projeto Voar e no fortalecimento da política de professores tutores do Ensino Fundamental, que será implantada em todas as escolas da rede, do 1º ao 9º ano, com foco na formação continuada e na aceleração da aprendizagem em alfabetização e matemática.

Professores tutores

No segundo semestre de 2024, a Seduc-SP deu início, em formato piloto, a um projeto de recomposição de aprendizagem em 200 escolas com baixo desempenho no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) do ano anterior. A iniciativa, voltada a estudantes do 6º ao 9º ano com alto nível de defasagem, prevê a contratação de professores tutores com foco nas disciplinas de língua portuguesa e matemática.

Em 2025, a tutoria foi ampliada para 500 escolas em 51 unidades regionais. De acordo com levantamento da equipe responsável pelo projeto, a maior parte dos estudantes selecionados para a avaliação de “entrada” (março) tinha conhecimento do 2º ano do EF. Em junho, no teste de “saída”, os alunos continuaram com conhecimento do 2º ano do EF, mas com avanços concentrados dentro do ano escolar.

Para 2026, após avaliação de impacto do projeto em parceria com a Universidade de Stanford, a Seduc-SP definiu a expansão do projeto a todas as 91 unidades regionais de ensino (2.862 escolas elegíveis).

A tutoria também é ofertada a estudantes dos anos iniciais do Fundamental. Depois do piloto, em 2025, com alunos do 1º ao 3º ano com altas defasagens (nível pré-leitor da fluência leitora), a Seduc-SP vai ampliar o projeto a classes do 4º e 5º ano em 2026. São elegíveis à iniciativa 1.401 escolas de 68 unidades regionais de ensino.