
As escolas da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) concluíram 10,9 milhões de atividades na plataforma Redação Paulista em todo o ano letivo de 2025. Entre as ações da pasta para ampliar o número de exercícios e para apoiar professores está a implantação de assistentes de correção virtual com inteligência artificial (IA). A plataforma foi implantada no segundo semestre de 2023. A Educação registrou um aumento de 68,75% nos textos produzidos, corrigidos e concluídos na plataforma pelos estudantes: foram 3,2 milhões de redações no segundo semestre de 2023 e 5,4 milhões no mesmo período de 2025.
Já a IA como apoio na correção de redações foi implantada em um projeto-piloto no fim de 2023 e expandida para toda a rede desde o início do ano letivo de 2024.
Novidade para 2026
Para aprimorar o trabalho dos professores, o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem, a Seduc-SP vai implantar, a partir de 2026, a tecnologia OCR (Optical Character Recognition ou reconhecimento óptico de caracteres). Essa ferramenta permite a digitalização das redações de próprio punho produzidas pelos estudantes.
Quando os professores fotografarem o texto, a ferramenta fará a conversão da letra cursiva em caracteres, proporcionando um processo ainda mais dinâmico e ágil de feedbacks. O recurso estará disponível para alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio a partir do primeiro trimestre do ano letivo de 2025.
O uso da ferramenta foi implantado como projeto-piloto no segundo semestre de 2025, com 79,8 mil alunos do 7º ano do Ensino Fundamental, matriculados em 115 escolas de três regionais de ensino na capital e na região metropolitana.

Reconhecimento internacional
A rotina de atividades dos alunos do 6º ano da Escola Estadual Marechal Carlos Machado Bitencourt, em Guarulhos, ganhou destaque internacional ao ser exibida em um vídeo durante o Microsoft Ignite, principal conferência anual de tecnologia da Microsoft, realizada em novembro. Judson Althoff, CEO da Divisão Comercial da empresa, mostrou o trabalho da professora Catia Bace, que ministra aulas de língua portuguesa, e como a assistente de correção virtual auxilia em seu dia a dia na revisão dos textos da plataforma Redação Paulista.
“Ensinar não é apenas o meu trabalho, é a minha paixão. Começamos a usar essa ferramenta de correção e tem sido muito bom. Meus alunos recebem instantâneo e personalizado após a escrita. Quando eu vejo o trabalho deles, eles já passaram por essa primeira rodada de orientação e isso me economiza tempo na correção, é mais tempo que posso dedicar aos meus alunos e no planejamento das aulas. Cada hora que eu recupero, é uma hora que eu posso investir neles”, comenta a professora Catia Bace no vídeo exibido por Althoff durante a conferência.
A tecnologia foi implantada pela Seduc-SP para ampliar o número de produções e, assim, garantir que estudantes da rede pública escrevam mais e melhor e alcancem melhores índices em avaliações como o Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) e o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
Como funciona a IA na Redação Paulista
Assim que sobem seus textos na plataforma, os alunos contam com o auxílio de um corretor ortográfico e gramatical. Para fazer as mudanças necessárias no texto, eles precisam reescrever, eliminar as falhas e enviar a redação ao professor. Quando o docente recebe o texto, a plataforma aponta automaticamente se foram seguidos os critérios avaliativos obrigatórios, como coerência, argumentação e adesão ao tema. Cada um desses tópicos deve ser validado pelo professor, a quem cabe a palavra final sobre a redação, inclusive a nota.