quinta-feira, 19/04/2012
Educação Indígena

Governo de São Paulo cria três novas escolas indígenas

Decreto de criação das unidades, pertencentes à Diretoria Regional de Ensino de São Vicente, foi publicado no Diário Oficial desta quinta-feira, Dia do Índio Unidades atendem a cerca de 80 alunos de três aldeias indígenas nas cidades de Praia Grande, Itanhaém e Peruíbe Hoje, Dia do Índio, São Paulo ganha três novas escolas estaduais indígenas. […]

Decreto de criação das unidades, pertencentes à Diretoria Regional de Ensino de São Vicente, foi publicado no Diário Oficial desta quinta-feira, Dia do Índio

Unidades atendem a cerca de 80 alunos de três aldeias indígenas nas cidades de Praia Grande, Itanhaém e Peruíbe

Hoje, Dia do Índio, São Paulo ganha três novas escolas estaduais indígenas. O decreto do governador Geraldo Alckmin, publicado nesta quinta-feira (19/04) no Diário Oficial do Estado de São Paulo, cria as escolas estaduais indígenas Aldeia Tekoa Mirim, na cidade de Praia Grande, Aldeia Tangará, em Itanhaém, e Aldeia Nhamandu, em Peruíbe.

As três escolas pertencem à Diretoria Regional de Ensino de São Vicente e já atendem a cerca de 80 alunos em espaços construídos pelas próprias comunidades. A partir do decreto de criação das unidades, serão instalados nas três aldeias prédios com os mesmos padrões de outras escolas indígenas da rede estadual. O cronograma de implantação será divulgado posteriormente.

A Escola Estadual Indígena Aldeia Tekoa Mirim atende, desde o dia 1º de fevereiro, a 25 alunos que estudavam em outras unidades locais ou se mudaram de outras regiões do Estado para Praia Grande.

Já as escolas estaduais indígenas Aldeia Tangará e Aldeia Nhamandu Mirim, que, até hoje, funcionavam, respectivamente, como classes vinculadas às escolas Aldeia Rio Branco e Aldeia Piaçaguera, passam agora a ser autônomas. Na unidade de Itanhaém já são atendidos 12 alunos e na de Peruíbe, 40. No total, na região de São Vicente, há cerca de 200 alunos indígenas em oito escolas autônomas e em outras duas classes vinculadas.

“A necessidade de construção de escolas indígenas nos territórios das aldeias garante aos indígenas a preservação de sua organização social e de seus costumes, línguas, crenças e tradições. A escola indígena deve ser comunitária, intercultural, bilíngue ou multilíngue, específica e diferenciada para assegurar o respeito à diversidade étnica e cultural”, declarou o secretário da Educação do Estado de São Paulo, professor Herman Voorwald.

Livro em guarani

Até o fim deste ano, os alunos indígenas da rede estadual deverão passar a contar com um livro de alfabetização em guarani, feito pelos próprios índios com supervisão de um linguista especializado. O material é inédito no Estado e deverá ser usado nas 16 escolas estaduais de origem guarani existentes na rede estadual. A iniciativa valoriza e reafirma as identidades étnicas e culturais das comunidades com o propósito de garantir educação de qualidade aos estudantes indígenas respeitando as especificidades de cada tribo. A meta é que o material seja publicado ainda neste ano.

Dia do Índio

Em alusão ao Dia do Índio, comemorado hoje (19/04), escolas indígenas localizadas nos municípios de Avaí, Bertioga, Braúna, Itaporanga e no Parque do Jaraguá, na capital paulista, terão uma programação especial nesta semana.

Até domingo, alunos e professores da Escola Estadual Indígena Aldeia Erekuá, da etnia terena, em Avaí, farão exposição de cartazes sobre a história da aldeia e de artesanato indígena e apresentações de danças típicas. A comemoração incluirá ainda barracas com comidas típicas e atividades esportivas indígenas como corrida, tiro de arco-e-flecha a distância, arremesso de lança a distância e torneio de futebol.

Na Aldeia Ribeirão Silveira, em Bertioga, na Escola Estadual Indígena Txeru Ba` e Kua-i, da etnia guarani, também haverá, entre hoje e sábado, exposição de artesanato, apresentações culturais e musicais, além de atividades esportivas como tiro de arco-e-flecha a distância, haindú (futebol de cabeça), ronkrã (jogo de duas equipes com bastão e bola) e corrida de tora. Para Cristine Matias de Lima, professora de filosofia, história e sociologia da unidade, “a data é importante para mostrarmos para a sociedade brasileira a rica cultura e diversidade indígena do Brasil e o quanto somos guerreiros perante toda a modernidade existente na sociedade de hoje”.

Hoje, na Aldeia Icatú, em Braúna, a comunidade da Escola Estadual Indígena Índia Maria Rosa, das etnias terena e kaingang, fará apresentações de artesanato, danças e coral, além de trilha ecológica. Na Aldeia Tekoa Porã, em Itaporanga, a Escola Estadual Indígena Tekoa Porã também terá hoje atividades culturais e esportivas, como tiro de arco-e-flecha, zarabatana, corrida de tora e futebol.

A Escola Estadual Indígena Djekupe Amba Arandy, da Aldeia Tekoa Ytu, localizada no Parque do Jaraguá, na capital, também celebra a data hoje e amanhã com uma programação que inclui apresentação de danças, coral infantil, exposição da história e da maquete da aldeia e região, oficinas de artesanato, literatura indígena e jogos. Haverá ainda palestras da história indígena e comidas típicas. “É importante a comemoração para que as pessoas tenham conscientização da existência da cultura indígena no Brasil”, diz a vice-diretora da unidade, Jatiaci Fernandes Martins.

Sobre a Educação Indígena

         A Educação Escolar Indígena é uma modalidade de ensino bilíngue e intercultural, voltada aos povos indígenas, promovida pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo com o objetivo de recuperar as memórias históricas indígenas, reafirmar suas identidades étnicas e valorizar línguas e ciências. Para atender aos professores e estudantes indígenas com qualidade, a Pasta mantém desde 1997 um núcleo voltado especificamente à educação indígena.

Entre os 4,2 milhões de alunos da rede estadual, além dos 14 mil estudantes índios no ensino regular, 1.150 descendentes de povos indígenas das etnias guarani, tupi-guarani, terena, kaingang e krenak estudam em escolas indígenas. A rede estadual de ensino dispõe de 31 escolas indígenas e de material didático especializado, produzido por professores formados pelo Magistério Intercultural Superior Indígena da USP (Universidade de São Paulo). As aulas são ministradas por professores indígenas que foram graduados em curso especial de formação intercultural em nível médio e superior. O material é bilíngue e diferenciado para cada uma das cinco etnias, com o objetivo de facilitar a alfabetização tanto no idioma materno como na língua portuguesa.

Nas classes indígenas, os estudantes têm acesso a todas as disciplinas do currículo escolar. As matérias, porém, são abordadas a partir da cultura de cada tribo e para isso são ministradas por professores das próprias aldeias. Assim, além dos temas do currículo convencional, os alunos também estudam questões relacionadas à sua cultura. Em sala de aula, os docentes transmitem a importância da preservação da história e da tradição dos povos indígenas.

As escolas indígenas do Estado oferecem Educação Básica, que compreende a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, que está dividido em Ciclos I (1º ao 3º ano), II (4º ao 6º ano) e III (7º ao 9º ano). O Ciclo IV refere-se ao Ensino Médio. As unidades estão distribuídas nas regiões das diretorias de ensino de Bauru, Caraguatatuba, Itararé, Miracatu, Penápolis, Registro, Santos, São Paulo (diretorias Norte 1 e Sul 3), São Vicente e Tupã.