sexta-feira, 14/01/2022
Notícia

Professora transforma garrafa PET em pluviômetro e ajuda a colher dados sobre o volume de chuvas em São Paulo

Por enquanto, o aplicativo Dados à Prova d’Água só está disponível para aparelhos celulares com sistema Android.

Com a intenção de despertar o interesse dos estudantes pela ciência, a professora de química Dayane Almeida de Sousa, da Escola Estadual Professor Renato Braga, na capital, criou a matéria eletiva “Dados à Prova d’Água” em que ensina os alunos a construir e utilizar um pluviômetro caseiro e inserir os dados em um aplicativo de celular colaborativo.

Uma garrafa de plástico PET, uma régua, fita adesiva e um estilete são os materiais necessários para fazer o “pluvipet”. Depois basta colocá-lo em um local aberto e esperar. A cada 24 horas, o pluviômetro precisa ser verificado para a coleta dos dados sobre a quantidade de água armazenada.

As informações devem ser inseridas no aplicativo de celular gratuito que usa um mapa para fazer o georreferenciamento dos dados e foi desenvolvido pelo projeto WPD Dados à Prova d’Água, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com duas escolas estaduais, as universidades de Glasgow e Warwick (Reino Unido), Heidelberg (Alemanha) e com o Centro de Monitoramento de Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

A EE Professor Renato Braga fica no distrito de M’Boi Mirim, na zona sul, uma das áreas da cidade com o maior número de regiões de risco para alagamentos e deslizamentos, segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

“Para os estudantes, o interessante é mostrar que a ciência é algo que pode ser feito por todos e que é preciso paciência e dedicação. No caso do pluvipet, a medição da quantidade de chuvas é importante, porque mesmo que eles não vivam em um lugar que alaga, outras pessoas vivem, e essas informações são essenciais”, explica Dayane.

A professora também lecionou a eletiva na EE Vicente Leporace e está fazendo uma cartilha em conjunto com a equipe da FGV, para que todas as escolas possam ensinar os estudantes a fazer o pluvipet e colaborar com o aplicativo. Os dados inseridos por qualquer cidadão ficam disponíveis para consulta e podem ser utilizados para pesquisas, análises e pelo poder público.

A conscientização dos estudantes e das famílias é importante, já que vários pluvipets colocados nas casas pelos alunos foram jogados fora pelos pais, que pensaram ser lixo ou ficaram com receio de servir de criadouro do mosquito da dengue. “Na aula, os estudantes aprendem como e quando devem limpar o pluvipet, que tem uma peneirinha que bloqueia a entrada de mosquitos. Explicar para a família o que é o projeto é fundamental”, diz Dayane.

A estudante do 6º ano do ensino fundamental, Rafaela Costa Lima, de 11 anos instalou um novo pluvipet no prédio onde mora. “Agora vou cuidar dele. Precisa ter uma rotina, limpar, marcar a medição. Ele é importante para ver quanto chove”.