terça-feira, 19/06/2018
Ensino Médio

Estudantes trabalham projeto de vida nas escolas da rede estadual

A disciplina existe nas escolas de Programa de Ensino Integral, espalhadas pelo Estado paulista

Em parte das escolas da rede estadual, nas unidades com o Programa de Ensino Integral, os estudantes têm à disposição aulas relacionadas aos seus projetos de vida. Trata-se de um grande trabalho em equipe dos professores e dos educandos. A um desses grupos cabe o apoio e orientação, ao outro cabe a função de se responsabilizar pelo próprio desenvolvimento, tendo em vista ser o maior interessado.

“O PEI é um projeto muito bacana porque trabalha em parceria com o projeto de vida do aluno. E toda essa estrutura leva à transformação do jovem, à formação do aluno autônomo, solidário, competente. O PEI forma cidadãos, e eu acho que o papel da escola do futuro é formar cidadãos”, afirma o professor de Física, Ednilson Luiz Silva Vaz, que trabalha na E.E. José Marcondes de Mattos, em Taubaté.

Atualmente, Ednilson Luiz Silva Vaz é orientador de um projeto de robótica que está sendo desenvolvido por três de seus alunos. O protótipo auxilia a locomoção de pessoas portadoras de deficiência visual. Trata-se de um par de óculos que emite sons assim que intercepta um obstáculo à frente de quem o transporta.

Sebastião Guilherme Junior conta que, junto com dois colegas, recebeu a proposta para desenvolver algo que fosse usado à melhoria de vida de alguém. O jovem relata que o tinham uma ideia de mais ou menos o que fazer, mas não sabiam como chegar lá. “A gente pensou um pouco e lembramos do sensor de ré de carro. Tínhamos uma noção, mas com a orientação do professor a gente aprendeu mais sobre o dispositivo”, acrescenta.

Ainda no interior de São Paulo, em Ribeirão Branco, na escola estadual Papa João Paulo II, os professores iniciaram um trabalho de conscientização sobre a importância do curso superior, ou técnico. Assim, passaram a separar algumas aulas para debates sobre o que cada um gostaria de trabalhar quando fosse adulto. Durante o bate papo, eles ouviam os alunos e transmitiam a mensagem de que trabalhar na roça, por exemplo, é algo bom, tendo em vista que muitas famílias da comunidade escolar tiram seus sustentos da plantação de hortaliças e legumes, mas dar sequência aos estudos era algo maior e melhor.

Com isso, uma série de palestras sobre diversas profissões, escolhidas pelos alunos do Ensino Médio, passou a ser algo frequente na unidade. Com esse apoio, os estudantes puderam conhecer melhor cada área ao tirarem dúvidas com os palestrantes convidados. “O incentivo aumenta a autoestima e dá mais vontade da gente continuar os estudos. O apoio na Papa João Paulo II, para muitos alunos, é maior do que o da família”, relata a jovem gremista Ana Raquele Moreira.

Essas possibilidades dentro das escolas da rede estadual desenvolvem as pesquisas sobre profissões e faz com que os alunos e as alunas passem a sonhar com uma carreira. “Eu penso em ser físico teórico, que foca mais na parte da teoria. Mexe mais com as equações, conceitos, elabora determinadas ideias e teorias. E depois testa para ver se é compatível”, vislumbra o estudante Estefano Enrico Pereira da Silva e Lima, envolvido no projeto de robótica que criou um par de óculos capaz de mudar a vida das pessoas com deficiência visual.