sexta-feira, 10/12/2021
Notícia

Inclusão: Com professores especializados, Educação SP amplia a oferta de ensino colaborativo

Proposta pretende uma ação entre os professores especializados e regentes de sala de aula

Com objetivo de desenvolver potencialidades individuais e promover um ambiente escolar inclusivo, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) reorganiza e amplia o ensino colaborativo dentro do âmbito da Educação Especial no ensino regular. Professores especializados, aptos para promover metodologias inclusivas para o aprendizado de estudantes com deficiências, Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou altas habilidades e superdotação, vão estar presentes na rotina escolar, com atuações no turno, juntos aos professores regentes, responsáveis pelo aprendizado em sala de aula.


Ilustrações do professor de Arte e Interlocutor de Libras, Uéberti Braghiroli, no ebook “Um olhar formativo para os estudantes elegíveis aos serviços da educação especial numa perspectiva inclusiva”

O processo de ensino colaborativo é um dos pontos de destaque na Política de Educação Especial, que estabelece novas diretrizes e bases na organização educacional da rede estadual para assegurar a educação inclusiva de qualidade, a promoção de oportunidades de aprendizagem para todos, e a universalização do acesso à educação básica. A proposta, além de fortalecer a ação entre docentes, que atuam para tornar o conteúdo proposto pelo Currículo em Ação acessível, ratifica a apropriação e o compartilhamento do espaço da sala de aula por todos os estudantes – com e sem deficiência. Atualmente, 66,5 mil estudantes matriculados na rede estão elegíveis aos serviços da Educação Especial.

Na resolução anterior, os professores especializados tinham dez aulas por semana, sendo oito no Atendimento de Educação Especial (AEE) – em Sala de Recurso ou na modalidade itinerante – e duas em observação em sala de aula regular. Agora, os professores especializados têm dez aulas para cada turma, sendo oito para fins de atendimento dos alunos na Sala de Recursos e duas para atuação em ensino colaborativo, junto aos professores das aulas regulares. Ainda existe a possibilidade das escolas ofertarem mais duas aulas adicionais de ensino colaborativo. Ou seja, também no turno regular.

Na modalidade itinerante, quando o professor especializado atende o aluno na escola que não possui a sala de recurso, este profissional cumprirá dez aulas para cada turma, sendo seis para fins do AEE e quatro para atuação em ensino colaborativo.

“Mudança de paradigmas”

Para o Secretário Estadual da Educação, Rossieli Soares, o sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades deve dialogar com o projeto pedagógico alinhado às diretrizes da PEE. “A evolução do olhar em relação à pessoa com deficiência passou a exigir mudança de paradigmas. A ampliação do Ensino Colaborativo representa uma série de medidas que fortalecem a autoestima e o sentimento de pertencimento estudantil. São ações que buscam aprimorar a educação para garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem. Isso se torna possível por meio da oferta de serviços e recursos variados, como nas áreas pedagógica, com acessibilidade ao currículo e ao Desenho Universal para a Aprendizagem, de materiais, em tecnologias assistivas, além de equipamentos e estruturas nas instalações da escola. Tudo para eliminar barreiras e promover a plena inclusão”, afirma.

A importância da presença de todos os alunos nas classes do ensino regular é destacada por Nadine Camargo, diretora responsável pela Educação Especial na Seduc-SP. “Isso também permite o desenvolvimento do mesmo Currículo com equidade. Essa clareza é essencial para que seja afastado o entendimento de que a Educação Especial se desenvolve em paralelo à educação comum. É uma acessibilidade necessária em respeito às singularidades”, conta.

De acordo com a Seduc-SP, existem diversas formas pelas quais o ensino colaborativo pode se desenvolver, conforme contextos escolares relacionados a professores e estudantes. Neste processo, são considerados quatro eixos: articulação entre os professores – regentes e da Educação Especial; identificação, aperfeiçoamento e acompanhamento dos apoios e serviços para a inclusão; manutenção dos estudantes, com e sem deficiência, no mesmo espaço físico, com o mesmo Currículo e garantia de acessibilidade; e formação continuada dos docentes para as práticas de Ensino Colaborativo.

Flexibilização Curricular: “Trabalhamos com o que é significativo”

Na Escola Estadual Sebastião Pereira Vidal, unidade do Programa Ensino Integral (PEI), da Diretoria de Ensino de Suzano, um grupo de professores coordenadores de Núcleo Pedagógico (PCNPs) se uniu, entre maio e junho deste ano, para trabalhar em uma perspectiva inclusiva no desenvolvimento de projetos de acessibilidade curricular. A PCNP da área de Educação Especial, Rogata Netto, conta que ela e outras professoras puderam vivenciar não somente o ajuste pensando em acessibilidade curricular, mas metodologias de inclusão. “Ou seja, o que é importante aos estudantes elegíveis da Educação Especial? O que é significativo e de quais formas eles podem aprender? Quando questionamos isso, conseguimos propiciar condições para que as pessoas entendam como esse aluno aprende. Ele pode aprender, mas por meio de estratégias diferenciadas. Trabalhamos com o que é significativo”, diz.

O processo de composição da obra, que apresenta conceitos sobre metodologia ativa, aula invertida e laboratório rotacional, foi iniciado no final do primeiro semestre deste ano, em uma pesquisa online, realizada com aproximadamente 70 professores do ensino regular. Entre outros pontos, o documento questionava as diferenças entre Educação Especial e Educação Inclusiva e o significado de acessibilidade curricular. Os objetivos das professoras de Rogata, da PCNP Marinete Pereira, além da professora especializada, Josiane Marques, e de Biologia, Camila Rocha, foi propor uma “construção coletiva” a respeito do trabalho de Flexibilização Curricular em Biologia, por meio do Ensino Colaborativo.

A teoria se tornou prática no processo de aprendizagem de um estudante com deficiência intelectual e transtorno no comportamento (ansiedade) da 2ª série do ensino médio. Entre outras características, ele possui dificuldade na linguagem e comunicação, principalmente sem vínculos estabelecidos, compreensão e atendimento a ordens simples e parcial a mais complexas, além de demonstrar dificuldades em desempenhar atividades propostas e limitação na habilidade sensório-motora.

Durante uma atividade online sobre mecanismos de variabilidade genética, era preciso que os estudantes identificassem aspectos históricos das concepções sobre hereditariedade. Então, a professora Camila Rocha separou algumas ilustrações e o vídeo “O que são os genes?”.

Saiba mais sobre a Flexibilização Curricular de Biologia (clique aqui).

“Meu plano inicial foi Importante para estabelecer vínculos e propor atividades que trabalhassem as habilidades socioemocionais, como empatia, respeito e confiança, no grupo de Amabilidade, e curiosidade para aprender, imaginação criativa e interesse artístico, em Abertura ao Novo. Dentro disso, atividades como caça palavras e palavras cruzadas, vídeos explicativos dos conteúdos sugeridos, imagens, esquemas e letras que chamem atenção. Tudo com pouca informação para não confundir a compreensão”, conta Camila. “Ofereci atividades com letras maiúsculas, tipo bastão, com a preocupação em não infantilizar e não esquecer de propor desafios. Liberei o envio de áudios ou vídeos junto com a atividade”, complementa.