terça-feira, 22/03/2022
Notícia

Projeto de sustentabilidade amplia desenvolvimento intelectual e acadêmico em Escola Estadual de Cravinhos

Com financiamento do CNPq, alunos dedicam-se à produção de evidências de que o sistema Aquaponia é saudável e funciona de maneira sustentável na produção de hortaliças, além de gerar melhoria na aprendizagem

Sustentabilidade e consciência ecológica são temas muito trabalhados dentro da Escola Estadual Bairro Francisco Castilho, em Cravinhos, interior de São Paulo. Em 2019 a escola adotou, em uma disciplina eletiva, as duas temáticas e conquistou resultados pedagógicos significativos, gerando melhoria na aprendizagem de diversas áreas.

Envolvendo um sistema chamado Aquaponia, que consiste na integração entre plantas e peixes, a disciplina contava com o professor Edgar Siqueira de Oliveira como responsável e chamou a atenção do pesquisador Doutor Fernando André Salles, da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (APTA). O pesquisador tornou-se parceiro na expansão do projeto como instrumento didático, em pesquisa com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os recursos financeiros viabilizaram a montagem de estrutura na área da escola.

Todo o sistema funciona de maneira sustentável, utilizando materiais simples para a criação dos canteiros, como caixas d ‘água, bombas de aquário, argila expandida e canos. O professor Edgar lembra que o projeto foi pioneiro na Diretoria de Ensino de Ribeirão Preto, e trouxe grandes avanços para a escola. “Com a Aquaponia, aproximamos a sala de aula às aprendizagens empíricas, desenvolvendo a iniciação científica e o trabalho em equipe de forma interdisciplinar”, afirma. “Também reforçamos mensagens relacionadas à sustentabilidade, como uso consciente da água e alimentação saudável”, complementa.

O projeto seguiu sua trajetória de sucesso conquistando novos protagonistas dentro da própria unidade. As alunas Hyngrid Sabino, Rafaela Abranches e Bianca Borela, que atualmente cursam a 3ªsérie do ensino médio, idealizaram uma nova expansão para a atividade, dando abertura para a vertente iniciação científica, com acompanhamento e orientação dos demais professores e desenvolvimento de habilidades diversificadas e alinhadas com disciplinas de base.

O projeto de Aquaponia consiste em duas caixas d ‘água com mil litros em cada, interligadas por um cano com a função de movimento tangencial. Dentro da primeira caixa são inseridos cerca de seiscentos peixes do tipo lambari, que possuem a função de produzir dejetos que irão transcorrer do cano central até a segunda caixa. Por meio de bombeamento da água, o material é transportado até os canteiros de forma igualitária.

Os canteiros possuem bandejas com 30 pequenas mudas de alface que absorvem e filtram os nutrientes dos dejetos e transformam a água em límpida para que ela retorne ao canteiro de peixes. Este processo cíclico é capaz de produzir a cada cinco semanas um ciclo de cultivo de alface, chegando a cerca de 150 novas verduras próprias para o consumo. A cada dois ciclos de cultivo de alface, em média, desenvolve-se um ciclo de cultivo dos peixes, com duração de 60 dias.

Para o pesquisador Fernando Salles, a proximidade entre sala de aula e aprendizagem empírica proporciona experiências bastante ricas. “A Aquaponia também estimula a curiosidade e o apoio mútuo entre setores técnicos e a escola, além do fomento à pesquisa e desenvolvimento do conhecimento”.

Últimos a ingressar no projeto até o momento, como monitores, os estudantes Felipe Barbosa e Vinicius Gallego criaram um estudo paralelo para observar e controlar os micro-organismos que se manifestam na produção dos vegetais. “Agora estamos observando o surgimento de micro-organismos que comprometem o crescimento das alfaces, refletimos sobre a necessidade de utilizar outros organismos naturais que preservaram a qualidade da água e garantem a saúde dos lambaris”, explica Felipe.