quarta-feira, 09/03/2016
Sociedade

Artigo – Acredite em mim!

Jorge Alves de Oliveira é doutorando em Educação (Uninove-SP) e professor de Filosofia

O ano letivo de 2016 começou e como sempre são inúmeros os desafios a serem enfrentados pelos profissionais da educação, pelos estudantes, bem como por toda comunidade escolar. Pela frente são esperados os Jogos Olímpicos, as eleições municipais, o desenrolo da abertura ou não do processo de impeachment de Dilma e de Cunha, as novas revelações e as penalidades na Operação Lava a Jato, uma ação mais eficaz contra um mosquito que “entendeu” que deveria assombrar a espécie humana sem distinção de nacionalidade, gênero, classe social, etnia, opção religiosa ou por um determinado time de futebol.

Some-se a isto as demandas que são internas da unidade escolar entre elas o mais desesperador, a saber, controlar o fluxo de estudantes diminuindo assim o alarmante índice de evasão escolar. Os dilemas são muitos: entre um caderno, o lápis e o pão é difícil bater o martelo definitivo. Entre o ganho rápido e palpável com ilícitos e a construção de algo que é incerto e distante a tentação é insuportável. Além do que a falta de sentido do que é a escola, o que é educação escolar e, ainda, educação escolar pública, contribuem significativamente para que na primeira necessidade de escolha a escola seja abandonada. 

É necessário que se note a complexa e árdua tarefa dos educadores, pois, lhe são exigidos os esforços redobrados para se fazerem acreditar que os conteúdos curriculares têm muito a dizer a todos que compõem a comunidade escolar e que a apropriação dos mesmos fará diferença na complexa leitura do mundo em se vive, em especial na identificação de situações de injustiça e na busca por saídas que promovam dignidade. Algo que não está dito, mas que está presente na ação daqueles que evadem.

Tal esforço é alimentado pela crença. A educação é acima de tudo um acreditar – em si e no outro. Acreditar que se tem algo a ofertar. Acreditar que o outro pode se apropriar e se beneficiar do que é oferecido. Acreditar que o outro tem algo a ofertar. Acreditar que pode se apropriar do que é ofertado. E em meio a estes entrelaçamentos de crenças a aversão ao que é ofertado ou o desânimo que ronda e abate aquele que vê correntemente rejeitada a sua oferta pode ser decodificado como o grande grito: Acredite em mim! 

O ano letivo começou tão somente porque ainda se acredita na educação escolar, desejando-a sempre como educação escolar pública.

Artigo disponível aqui.