domingo, 03/01/2021
Sociedade

Em ano de pandemia, USP buscou manter qualidade e responder às demandas sociais

Universidade contou com infraestrutura tecnológica e engajamento da comunidade universitária para dar continuidade às atividades

Somando quase 100 mil alunos matriculados na graduação e pós-graduação, mais de 5 mil professores e cerca de 14 mil funcionários distribuídos em oito campi do Estado de São Paulo, a USP contou neste ano com a mobilização de vários recursos para se adaptar à necessidade de distanciamento e continuar as atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Em uma universidade de grandes dimensões como a USP, é difícil medir o esforço de cada órgão ou pessoa integrante da comunidade universitária diante do desafio de se manter ativo na pandemia. Ele inclui desde o funcionamento de 600 quilômetros de fibra ótica que realizam a conectividade de toda a estrutura computacional da Universidade até o empenho de cada pesquisador, professor e aluno para seguir sua trajetória em aulas on-line, defesas de teses em plataformas digitais ou desenvolvimento de pesquisas.

Promovendo ensino e extensão

Para garantir a qualidade do ensino nos diversos cursos de graduação da USP, a Pró-Reitoria de Graduação (PRG) contou com duas plataformas de ensino a distância, o e-Disciplinas, que controla desde a organização das turmas até a avaliação on-line, e o e-Aulas, para publicação de aulas em formato de vídeo. Para auxiliar os professores no uso destas ferramentas, a Pró-Reitoria disponibilizou um guia básico para ensinar como transmitir conteúdo das aulas pela internet. Com a incorporação das plataformas e recursos digitais no ensino, a PRG pretende em 2021 promover a reformulação e inovação dos currículos e projetos pedagógicos dos cursos de graduação e, além disso, investir em ações de acolhimento ao aluno por meio dos escritórios de apoio. “No ano que vem, teremos uma graduação reformulada, em que as competências e habilidades serão colocadas em prática”, destacou o pró-reitor de Graduação, Edmund Chada Baracat.

Ferramentas como essas já vinham fazendo parte, em anos anteriores, de oficinas para professores realizadas pela Universidade. Com o curso Aprendizagem em Ambientes Virtuais: Experiências, estado da arte e potencialidades na USP, a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão (PRCEU) procurou dar suporte aos docentes na ampliação do uso das tecnologias digitais e qualificar o processo de ensino-aprendizagem apoiado por ambientes virtuais também nos cursos de cultura e extensão universitária oferecidos pela USP. A PRCEU investiu em plataformas como o Portal USP Cultura em Casa, para disponibilizar gratuitamente atividades culturais on-line, e realizou a versão digital da Feira USP e as Profissões que possibilitou a participação de estudantes de todo o País. O desafio para 2021 será fortalecer cursos de extensão a distância e promover atividades itinerantes. “Vamos incorporar muitas das experiências positivas que tivemos e reforçar ações que aumentem a visibilidade da Universidade”, afirmou a pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária, Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado.

Novos desafios para a pesquisa

Com mais de 1.700 disciplinas oferecidas on-line, exames de qualificação, defesas de dissertações e teses realizadas em plataformas de videoconferência, a pós-graduação da USP também continuou as atividades para atender os alunos dos mais de 260 programas de pós da Universidade. No ano, foram defendidas 2.500 dissertações e teses e realizados 2.198 exames de qualificação. As atividades de pesquisa nos laboratórios tiveram prejuízos significativos, mas os prazos foram prorrogados e um dos desafios da área para 2021, de acordo com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, será aliar as atividades presenciais com o ensino remoto. “As disciplinas deverão sofrer modificações com a introdução das ferramentas de ensino on-line, que ajudaram em 2020 a criar um novo modo de o aluno se comunicar e interagir com seu orientador, o que não quer dizer que iremos substituir um modelo antigo por um novo, mas sim incorporar esses novos instrumentos, que serão vantajosos para todos”, explica o pró-reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior.

Com a pandemia, a área de pesquisa da Universidade mostrou o protagonismo da ciência no enfrentamento à covid-19 e também a relevância do trabalho realizado pelos mais de 200 grupos de cientistas da USP, de diversas áreas do conhecimento, que têm se dedicado ao assunto. A Pró-Reitoria de Pesquisa deu suporte a essas atividades, além de apoio financeiro a projetos de novos docentes e para realização de eventos científicos on-line. O fomento à criação de centros multidisciplinares será uma das metas da área para 2021, assim como a internacionalização. “O avanço da ciência cada vez mais requer conjunção de competências. A sociedade nos coloca problemas que frequentemente não serão resolvidos por uma única disciplina. E isso é mundial”, afirmou o pró-reitor de Pesquisa, Sylvio Roberto Accioly Canuto.

Ciência brasileira em destaque

No contexto da pesquisa realizada na Universidade, os cientistas da USP se destacaram em dois rankings divulgados em 2020, um deles da revista Plos Biology, com dados da base Scopus, com 164 nomes da Universidade entre os 160 mil mais influentes do mundo nos últimos anos. Entre os 6 mil pesquisadores altamente citados no mundo, pelo relatório da empresa Clarivate Analytics, baseado na plataforma Web of Science, a USP teve sete pesquisadores em destaque.

Em termos de produção científica, a USP se destacou entre as 20 instituições que mais publicam textos científicos sobre covid-19 no mundo neste ano. De acordo com os registros da base de dados da plataforma Dimensions, foram 168.546 publicações sobre a doença. Desse total, 4.029 são do Brasil, o que representa 2,39% de toda a produção mundial. Entre os pesquisadores brasileiros, a contribuição da USP é significativa, com 729 publicações, o que representa 18,5% de toda a produção nacional. A USP também é a instituição de pesquisa do Brasil com maior número de publicações e a 16ª em todo o mundo.

Reconhecimento internacional

A USP também se destacou em outros rankings mundiais, com a 13ª colocação entre as universidades mais sustentáveis do Mundo, pelo GreenMetric, e como a instituição brasileira mais bem colocada no ranking QS Latin America. Ela também figurou entre as 100 instituições com melhor reputação acadêmica do mundo, segundo o World Reputation Ranking 2020, e foi classificada como melhor universidade latino-americana, de acordo com o World University Ranking da consultoria britânica Times Higher Education (THE).

O ano ainda contou com a avaliação da Academic Ranking of World Universities 2020 (ARWU), que avaliou a USP entre as 150 melhores universidades do mundo, sendo a melhor da Ibero-América. E segundo ranking elaborado pelo Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia (CWTS, na sigla em inglês) da Universidade de Leiden, na Holanda, a USP aparece como a sétima universidade que mais produz pesquisa no mundo, levando em consideração a produção científica publicada na base de dados multidisciplinar Web of Science, editada pela empresa Clarivate Analytics.

Em avaliações internacionais, a Universidade também contou com o reconhecimento internacional pela classificação do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) no World’s Best Hospitals 2020, da revista norte-americana Newsweek, figurando como quarta melhor instituição de saúde do País. No mesmo ranking, o Instituto do Coração (InCor) é classificado como o melhor hospital de cardiologia do Brasil e da América Latina e o setor de Neurologia do HC aparece na 14ª posição entre os melhores hospitais especializados na área do mundo. O HC também foi classificado como o mais bem equipado do Brasil e da América Latina, ocupando o 1º lugar no índice do HospiRank 2020, organizado pela Global Health Intelligence (EUA).

Para além do reconhecimento em rankings, o ano de pandemia colocou os hospitais da USP como protagonistas no combate ao coronavírus. O HC realizou uma megaoperação para aumentar a capacidade de atendimento a pacientes com covid-19, reorganizando espaços, realocando pacientes para que fossem liberados leitos e implementando treinamentos para os profissionais da saúde. “Foi uma operação de guerra que mobilizou toda a comunidade do HC”, disse o professor Aluisio Cotrim Segurado, presidente do Instituto Central da instituição. Nesse processo, o Hospital Universitário (HU) passou a receber do HC gestantes de pré-natal de alto risco e neonatologia e criou uma área isolada para recebimento, atendimento e encaminhamento de casos suspeitos de covid-19.

Manutenção da autonomia e de recursos

Enquanto atuava no combate à covid-19, a Universidade precisou ainda neste ano se mobilizar para defender a autonomia e o financiamento do ensino superior público de São Paulo. O Projeto de Lei 529/2020, que previa a retirada de recursos das três universidades estaduais paulistas, redirecionando-os ao orçamento do governo do Estado de São Paulo em 2021 para equilíbrio das contas públicas, foi combatido pela comunidade universitária, que elaborou campanhas, comunicados e manifestos procurando esclarecer os prejuízos de tal medida para a ciência brasileira.

Após cerca de dois meses de intensas negociações, as universidades estaduais e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (Fapesp) foram excluídas da medida. Porém, ainda há insegurança quanto à possibilidade de cortes no orçamento da Fapesp.

Respostas à sociedade

Neste esforço de mostrar a importância do papel da universidade pública para o desenvolvimento, a USP buscou aprimorar dados de gestão acadêmica para que a comunidade tenha indicadores para acompanhar o que ela faz. Por isso, tem investido no Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida), criado para melhorar a coleta e análise de dados sobre a Universidade, além de construir novas métricas que ajudem a traduzir a atividade acadêmica e ampliar a transparência da gestão universitária. O escritório trabalhou em 2020 na criação de novos indicadores, como, por exemplo, métricas para avaliar a atividade acadêmica dos museus universitários.

A USP também lançou neste ano a sua Carta de Serviços, um grande inventário on-line de todos os serviços que a Universidade presta para dois públicos: sua comunidade interna e comunidade externa. Ele reúne informações sobre sua infraestrutura em diferentes cidades, que vai desde cursos a atendimento de saúde à população.

E para a produção científica, tecnológica e cultural da Universidade chegar às pessoas por meio de produtos e serviços, a Agência USP de Inovação (Auspin) continuou ativa durante a pandemia. É ela que incentiva o empreendedorismo e coordena a mediação entre a produção industrial e intelectual da Universidade e a aquisição de patentes, marcas, direitos autorais de livros, softwares, músicas, entre outras produções. Também foi criado um programa de pós-doutorado em Inovação para capacitar estudantes da pós-graduação a identificarem oportunidades de desenvolvimento de suas pesquisas e ideias em grande escala.

Investimento em acervos digitais

No ano do distanciamento social, a comunidade universitária teve acesso a um imenso acervo de conteúdos digitais. “Uma das lições que aprendemos durante a pandemia foi que devemos dar mais atenção à aquisição e acesso aos livros digitais, ou seja, oferecer um acervo ainda maior”, destacou o professor Jackson Cioni Bittencourt, presidente da Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (Aguia), responsável pela gestão dos dados gerados a partir do conhecimento produzido na USP e pela assinatura e aquisição de conteúdos científicos.

Somente a coleção de livros eletrônicos atingiu a marca de 410 mil e-books, material que integra acervos distribuídos em nove grandes plataformas, como o Portal de Livros Abertos e o Portal de Revistas USP. A Aguia também disponibilizou para a comunidade USP o acesso a mais de 7.400 veículos de imprensa de 60 países, por meio da plataforma PressReader. Em outro catálogo virtual,  milhares de livros eletrônicos da área de saúde das principais editoras do País podem ser consultados pela plataforma Minha Biblioteca.