quarta-feira, 18/07/2018
Governo do Estado de São Paulo
Ensino Fundamental

6ª Feira de Ciências da Educação recebe projetos até dia 17 de agosto

Neste ano, competição receberá trabalhos de Ciências Humanas e é aberta a estudantes dos Anos Finais do Fundamental e Ensino Médio

A 6ª Feira de Ciências das Escolas Estaduais de São Paulo (FeCEESP) recebe os trabalhos candidatos até 17 de agosto. Durante essa primeira fase – seletiva regional – os estudantes devem encaminhar à diretoria de ensino o documento com o projeto básico, banner e as fichas de identificação. A lista dos classificados será divulgada em novembro.

O regulamento completo está disponível aqui.

Na categoria Ciências da Natureza, podem se inscrever alunos do 6º, 7º e 8º ano do Ensino Fundamental (Júnior) e do 9º ano do Ensino Fundamental, 1ª série e 2ª série do Ensino Médio (Master). Pela primeira vez, produções na área de Ciências Humanas serão aceitas pela banca julgadora. A seleção é aberta apenas ao 9º ano do EF, 1ª série e 2ª série do EM.

Os projetos devem ser desenvolvidos, obrigatoriamente, por um (1) ou dois (2) estudantes e orientados por professor da unidade. Representantes de institutos, faculdades e universidades parceiras também podem apoiar os jovens cientistas. Os oito vencedores serão conhecidos em abril de 2019.

Casos de sucesso na FeCEESP

Uma casa que leva bagaço de laranjas na construção das telhas. Um talco de açafrão e hortelã que combate o chulé. Esses são dois projetos que participaram da última edição da FeCEESP, a Feira de Ciências das Escolas Estaduais de São Paulo.

Pensando em alternativas sustentáveis e de baixo custo, estudantes do Ensino Médio da escola estadual Professor Gabriel Pozzi, em Limeira, desenvolveram um protótipo utilizando material orgânico. O projeto inovador foi tão bem-recebido que as alunas ganharam a chance de visitar a Exporecerca Jove, em Barcelona.

Na região conhecida pela indústria do suco de laranja, Larissa Souza Galvão e Mariana Oliveira Silva escolheram o bagaço da fruta como matéria-prima. Com o apoio da USP São Carlos, elas desenvolveram um método de reaproveitamento e com baixo custo. Além de reduzir os impactos ambientais, o objetivo das adolescentes é fazer uso do material em moradias de famílias de baixa renda, tanto na confecção de telhas, como de divisórias e portas.

“A gente percebe o entusiasmo da comunidade. Muitos vieram perguntar sobre o projeto, após verem matéria no jornal da cidade. A procura por vagas aumentou na escola. Até pais de alunos de escolas particulares demonstraram interesse em transferirem seus filhos para os nossos cuidados”, relata a diretora da unidade, Ana Marcia de Pauli Paglioni.

Projetos juniores

No Ensino Fundamental também estão matriculados jovens cientistas, que podem mostrar seus talentos na categoria Junior da FeCEESP. Na E.E. Afonso Cáfaro, em Fernandópolis, os estudantes de 12 a 13 anos enxergaram no meio-ambiente uma forma de enfrentar problemas diários. Com orientação da professora de Língua Portuguesa, as crianças encontraram a solução para algo que os incomodava, e muito, dentro das salas de aula da escola de ensino integral: o chulé.

A nomenclatura que o projeto recebeu é um tanto complicada: “Estudo da Ação da Mentavilosa e da Curcuma longa no combate à Dromidose Plantar”. Mas, a professora Cristiane Pinheiro explica que a “Mentavilosa é a hortelã, Curcuma longa é o açafrão e a Dromidose Plantar é o famoso chulé. Nós fizemos questão de trabalhar o nome científico, ao invés do popular, para que os alunos aprendessem a tratar seus experimentos dessa maneira”, explica a orientadora.

Os alunos e as alunas não pensaram num produto final. Fizeram estudos das plantas e extraíram o que cada uma oferece. Após todo o processo de manuseio é que encontraram no talco a solução para o problema do mal cheiro. “É legal, pois a gente acaba aprendendo com o projeto, na prática.  E é bom aprender coisas novas”, afirma Shamyra Abadia Zanzea Curã, aluna da Afonso Cáfaro.

O aluno Igor Lopes de Lucca, de 12 anos, vai além. “Eu me senti um cientista. A gente chegou lá [nas feiras de Ciências em que participaram] e os avaliadores fizeram um monte de perguntas. Nós respondemos todas”, conta orgulhoso do resultado.

O “Estudo da Ação da Mentavilosa e da Curcuma longa no combate à Dromidose Plantar” foi apresentado primeiramente na feira de ciências da própria unidade escolar. Posteriormente, os alunos levaram a pesquisa para uma feira organizada pela própria escola, mas que conta com a participação de estudantes de todas as escolas da cidade de Fernandópolis, entre estaduais, municipais e particulares. Foi então que receberam o convite para participarem da feira MostraTec Júnior, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, de proporção internacional.

“É fantástico. Primeiro pelo protagonismo que eles apresentaram na pesquisa. Com isso, melhoram na sala de aula, pois foi um trabalho interdisciplinar”, explica a professora Cristiane. Ao falar sobre a evolução dos estudantes, Cristiane relata que “o olhar deles é de espanto, dizem ‘nossa, realmente dá certo!’. Eles conseguiram verificar que toda a pesquisa rendeu algo na prática, e ficaram encantados com o processo”, finaliza a educanda.

Atualmente, os envolvidos trabalham com foco no aperfeiçoamento do projeto. Segundo Shamyra, “a gente está pensando em fazer estudos para conseguir tirar a coloração do açafrão. É que aquele amarelo acaba tingindo nossos sapatos”, conta a jovens aprendiz de cientista.